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17/02/2010 - Contexto Paulista
Contexto Paulista: Por falar em segurança
Wilson Marini
Há mais de 120 dias a bela região dos Jardins, na Capital paulista,
não registra caso de roubo a residência, segundo informa o Jornal do
Comércio, da Associação Comercial de São Paulo. É uma área formada por bairros de classes sociais de alto poder aquisitivo -- os tradicionais jardins Europa, América, Paulista e Paulistano. Como nada acontece por acaso, é preciso saber como essa região paulistana tão rica, conhecida internacionalmente pelo comércio de luxo, chegou a tal proeza.
Diálogo e ação
Em 2007, os moradores criaram uma entidade que serve de canal com o poder público. Desde então, várias conquistas foram alcançadas no trânsito e áreas verdes. Na área de segurança pública, a Polícia Militar reinstalou uma base móvel na esquina das avenidas Faria Lima e Cidade Jardim, ampliou o patrulhamento com motos pelas ruas dos bairros e estabeleceu uma parceria com as lideranças dos moradores baseada em troca de informações. "Tudo isso resultou em redução dos índices de criminalidade", afirma João Maradei, diretor executivo da entidade AME Jardins. Simples assim? Sim. Sem barulho, sem maquiagem nas estatísticas.
Nos EUA
A Época desta semana relata a experiência de Seattle, nos EUA. A
cidade baixou drasticamente a violência após implantar o programa
"Cessar Fogo". Uma das estratégias: a nomeação de "moderadores" para fazer a ponte entre a polícia e as gangues. Segundo a revista, membros da comunidade, devidamente orientados, se aproximam dos bandidos, suas famílias e amigos, para dizer-lhes que devem se afastar dos crimes, para o bem ou para o mal. Reagir ao crime com força e imediatamente não é suficiente para impedir novos crimes, concluíram os americanos. É preciso atuar antes no sentido de impedir o alastramento epidêmico da criminalidade. Da mesma forma com que se previne a aids distribuindo camisinhas.
Prevenção
Os exemplos dos Jardins em São Paulo e de Seattle mostram a eficiência da atuação preventiva da polícia e da participação efetiva da população na busca de soluções. Mostram também que os crimes não migram necessariamente em direção a áreas de elite econômica. Como também não avançam necessariamente sobre cidades com grande densidade de pobreza, como mostra o exemplo de Diadema, já comentado nesta coluna, que após chegar ao extremo do fundo do poço reverteu a situação e há dez anos o índice de homicídios apresenta queda. As regiões do Interior de São Paulo, assustadas com o quadro de violência em alta, devem se inspirar nos casos positivos e encontrar as próprias saídas. Que certamente passam por ação mais eficaz da polícia somada a atitudes comunitárias participativas.
Dar de comer a quem tem fome
A última edição da prestigiosa revista científica Science faz uma
grave advertência aos governos de todo o mundo. A população mundial deve chegar a 9 bilhões em 2050, mas o total de áreas cultiváveis, água potável e outros recursos fundamentais para a sobrevivência humana não crescerão na mesma proporção. Ao contrário, a previsão é de uma queda de 20% a 30% na produção agrícola nos próximos 50 anos nas principais culturas entre as latitudes do sul da Califórnia e da Europa e a África do Sul devido ao aquecimento global. Para os cientistas, a solução está na adoção de medidas radicais na produção de alimentos. Os pesquisadores pedem aos líderes mundiais que “alterem dramaticamente suas noções a respeito de agricultura sustentável de modo a prevenir uma fome de dimensões catastróficas até o fim deste século entre os mais de 3 bilhões de pessoas que vivem próximas à linha do equador”.
São Carlos e Venezuela
Um exemplo do dinamismo da economia do Interior Paulista vem de São Carlos. O município quer intensificar relações comerciais com a
Venezuela de Hugo Chávez. São Carlos, com suas 64 indústrias que
exportaram US$ 14,7 milhões em 2009 para o mercado venezuelano,
prepara uma Carta de Intenções com vistas ao desenvolvimento da
indústria e expansão do comércio, além de cooperação no turismo. “O
projeto da Cidade da Energia em São Carlos coincide com o potencial
energético da Venezuela”, afirma o presidente da Federação de Câmaras de Comércio e Indústria Venezuela-Brasil, José Francisco Marcondes Neto. Atualmente, Argentina e EUA são os mais compradores de produtos de São Carlos.
Agenda
No dia 1º de março, prefeitos e secretários de Cultura de todo o
Estado se reúnem no Memorial da América Latina, em São Paulo, no XIII Encontro de Dirigentes Culturais, que discutirá a elaboração e
execução das políticas públicas da área.
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