02/06/2012
 
O Liberal, aos 60 anos de fundação, anuncia reforma gráfica
(Luciano Assis - O Liberal )
 
O jornal O Liberal completa hoje 60 anos de fundação e se seu compromisso com a verdade continua o mesmo, por outro lado seu visual se inova ao sabor dos tempos. A partir de hoje, os leitores passam a ter em mãos um jornal mais moderno, de leitura dinâmica e visual arrojado, fruto de um trabalho de sete meses dos profissionais da agência de designer gráfico Audaz.

As mais notáveis novidades se deram no enxugamento de elementos gráficos, uso de fontes exclusivas criadas pelo artista e designer gráfico português Dino dos Santos, e o acréscimo de boxes, gráficos e outras ferramentas que permitirão uma hierarquização das notícias que diariamente chegam às bancas e às casas de milhares de leitores dos municípios de Americana, Hortolândia, Nova Odessa, Santa Bárbara d´Oeste e Sumaré.

A edição desta sexta-feira também apresenta mudanças nos nomes de alguns cadernos. O antigo Caderno L passa e ser o +Cult, e inaugura, entre outras novidades, tiras do “Recruta Zero”, de Mort Walker, e “Hagar”, de Dik Browne. O Panorama, que cobre assuntos do Brasil e do mundo agora se chama 360º. Já o Seu Dinheiro muda para Seu Valor. Cláudio Gil, um dos maiores calígrafos do Brasil, desenhou uma nova letra L no logo do jornal. Já Rodrigo Fortes pesquisou e desenvolveu os novos infográficos dos cadernos.

São mudanças pensadas para integrar o mais tradicional jornal americanense com o que há de mais moderno em matéria de visual gráfico no mundo, num projeto que começou a ser desenvolvido no final do ano passado quando a direção do jornal fez as primeiras reuniões com os proprietários e coordenadores da Audaz, Andrei Polesi e Alexandre Bassora.

“Mudar é uma tendência e uma necessidade dos jornais que precisam atender a uma nova geração de leitores que está chegando cada vez mais acostumados com novas tecnologias e outros meios de se obter informações. Mas também é preciso que essa mudança chegue num momento que se justifique”, comenta Polesi.

Já Bassora frisa o equilíbrio entre a necessidade de inovar e o cuidado com a solidez de um produto com 60 anos de serviços prestados à população de Americana e região. “Tratamos com todo o cuidado, como se estivéssemos mexendo em uma bandeira”, compara.

Ruy Castro e Cony ancoram terceira página de opinião

A ampliação do espaço reservado à opinião, tanto de articulistas como de leitores, é outra novidade. A editoria ganha uma terceira página e o reforço dos colunistas Ruy Castro, às terças, quintas, sextas e sábados; e Carlos Heitor Cony, às quartas e domingos. Além disso, também haverá mais espaço para a participação de leitores com a colaboração por meio de artigos e com a coluna #Conectados, que reproduz comentários das notícias publicadas no portal.

Ruy Castro é escritor e jornalista, e já trabalhou nos jornais e nas revistas mais importantes de São Paulo e Rio de Janeiro, além de ser considerado um dos maiores biógrafos brasileiros. Cony é romancista e cronista, membro da Academia Brasileira de Letras desde 2000.

Além dos novos articulistas, a abertura de uma terceira página na editoria de Opinião amplia o espaço para contribuição de leitores com o envio de artigos colaborativos e na coluna #Conectados.

Outra inovação a fim de dinamizar a participação dos leitores é a criação de uma conta no Instagram, aplicativo gratuito de compartilhamento e tratamento de fotos, que permite a divulgação das imagens por meio das redes sociais (Twitter, Facebook, Foursquare e Tumblr).


HISTÓRIA
De 1952 a 2012, postura combativa em defesa dos direitos do cidadão



BRUNO MOREIRA

AMERICANA

A combatividade e a independência diante dos desmandos dos administradores da cidade e dos detentores do poderio econômico que tentam impor seus objetivos através da força, além da defesa de bandeiras em prol da comunidade, são marcas que acompanham os 60 anos de existência do LIBERAL desde a primeira edição. Alvo da ira daqueles que não digerem o papel de questionador e interlocutor da população, o jornal mantém sua postura de forma contínua.

A necessidade da existência de um veículo com essas características vem desde a época de sua fundação. O patrono Jessyr Bianco costumava escrever como colaborador para o jornal “O Tempo”, no final da década 1940, mas os artigos que faziam críticas e questionamentos à administração municipal eram barrados pelo periódico. A garantia de um espaço independente na imprensa de Americana se estabeleceu com a fundação do LIBERAL.

Logo no seu início, o jornal abraçou a primeira causa: a defesa da emancipação de Americana, elevando-a à categoria de comarca. Por meio de editoriais, O LIBERAL defendeu a criação da comarca e pressionou o Governo do Estado a fim de avalizar o pedido. Também descobriu os erros cometidos pelo governo e que atrasaram o processo até poder destacar, no dia 1º de janeiro de 1954, “Concretizado afinal o velho sonho de Americana”, com a autorização da criação da comarca, que abrangia ainda Nova Odessa.

Na década de 1960, foi a vez de “comprar briga” com os irmãos Antonio e Francisco Pinto Duarte, diretores da Empresa Telefônica Americana S/A. Eles criaram leis que provocaram o aumento do preço das tarifas. O LIBERAL ergueu a voz contra a irregularidade por meio de seus editoriais e no dia 1º de agosto de 1960 teve a redação e a oficina depredadas pelos diretores da empresa. A edição do dia 4 de agosto precisou rodar na Impressora Nova Odessa, mas não deixou de ser publicada. O acontecimento foi relatado, assim como a perda da causa pela Telefônica, que precisou reestabelecer as linhas cortadas.

AQUI, NÃO!
O LIBERAL também tomou a frente para impedir a instalação da Termelétrica Carioba 2, em meados do ano 2000. Um grupo formado pela Shell, IterGen e CPFL Paulista pretendia transformá-la na maior usina do ramo no país, com investimento de US$ 600 milhões. Eles ressaltaram a geração de empregos que seria viabilizada pelo empreendimento, assim como a notoriedade que seria creditada ao município em nível nacional. Porém, omitiram o impacto ambiental que Americana sofreria.

O jornal procurou fontes especializadas em meio ambiente e constatou os malefícios de grande monta que seriam ocasionados pela Carioba 2, maiores do que os benefícios anunciados. Depois de O LIBERAL bater de frente com o grupo investidor e constatar os problemas que seriam ocasionados, em defesa da comunidade, ficou comprovado que a usina não era necessária. Em 2003, o jornal trouxe como manchete: “Carioba 2 morreu”, após a desistência dos interessados.

SEGUNDO TEMPO
O Ministério Público Federal investiga denúncias de irregularidades no programa Segundo Tempo, desenvolvido entre 2006 e 2010, por meio de inquérito civil instaurado em janeiro deste ano. Os problemas foram levados ao conhecimento da sociedade através de reportagem exclusiva publicada pelo LIBERAL, em 2010. O programa foi paralisado no munícipio após a divulgação feita pelo jornal. O trabalho de apuração apontou problemas em relação ao número real de crianças atendidas, materiais utilizados e alimentação oferecida aos participantes.

Segundo o MPF, 53% dos recursos destinados à primeira edição do programa em Americana, de 2006 a 2007, em parceria com o Ministério do Esporte, teriam sido desviados. No último mês de abril, a procuradora da República Heloísa Maria Fontes Barreto ajuizou uma ação civil pública em que solicita a condenação dos envolvidos.

Em valores atualizados, o MPF pede a condenação solidária dos réus e a devolução de R$ 1 milhão à União e R$ 152 mil à Prefeitura de Americana, além de multa que pode elevar os valores em 200%, suspensão dos direitos políticos de cinco a oito anos e proibição de contratação com o poder público por até cinco anos. A ação foi distribuída e tramita na 3ª Vara da Justiça Federal, em Piracicaba. “Em valores, desvio de recursos públicos, foi o maior escândalo que O LIBERAL denunciou até hoje”, considera a diretora financeira do grupo, Luciana Medon Bianco.

TOMÓGRAFO
O LIBERAL manteve-se à frente do interesse público também em outros casos de grande relevância para a comunidade, como a compra do “tomógrafo sucata”, realizada pela Prefeitura de Americana em 2004 para equipar o Hospital Municipal Doutor Waldemar Tebaldi. O proprietário da Comercial Coman, Juliano Zaparoli, vendeu um tomógrafo modelo ELX 905 como se fosse o Elscint 1.800. O modelo era tão obsoleto que foi apontado como sucata por especialistas ouvidos pela Polícia Civil e pela Justiça. Em 2010, Zaparoli foi condenado a devolver R$ 210 mil, com correções, e arcar com multa, pagamentos dos custos da perícia e do processo, assim como a prestação de serviços comunitários em substituição à pena de três anos de detenção.

A defesa do setor têxtil, principal atividade industrial da RPT (Região do Polo Têxtil), também foi empunhada pelo grupo, que desde o início da década de 1990, no princípio da crise, tem apresentado as necessidades apontadas pelo empresariado local e solicitadas junto ao governo. Em 1995, por exemplo, profissionais do LIBERAL chegaram a ser vítimas de agressões da Tropa de Choque da Polícia Militar durante protesto que paralisou a Rodovia Anhanguera, a fim de pedir incentivos do governo ao setor.


LIBERAL ergue a voz a prefeitos e ratifica comprometimento

Além de embates com o poder privado, O LIBERAL também carrega um histórico fiscalizador de gestões públicas. Mesmo diante de discursos agressivos em tom ameaçador e tentativas de enfraquecer a postura combativa, o jornal não abaixou a cabeça. Ao contrário, respondeu no mesmo tom. Em 1972, o então prefeito de Americana, Abdo Najar, acusou O LIBERAL de perseguição sistemática e pediu o indiciamento do fundador Jessyr Bianco e do redator-chefe à época, Diógenes Gobbo, com base na Lei de Segurança Nacional. Segundo Najar, o jornal queria "agitar a opinião pública, num trabalho impatriótico".

Interrogado pelo Dops (Departamento de Ordem Política e Social), após inquérito aberto em maio daquele ano, Gobbo destacou que as críticas eram construtivas e o próprio prefeito Abdo Najar aproveitava matérias e artigos para sustentar suas reivindicações junto aos órgãos públicos. "O prefeito muitas vezes se deixa levar por terceiros que têm interesses feridos", afirmou.

A acusação do prefeito Abdo Najar rendeu a condenação pelo crime de injúria a Diógenes Gobbo, após o processo ser encaminhado à Justiça comum, em primeira instância, já que não vislumbrava possíveis crimes contra a Lei de Segurança Nacional. Porém, em segunda instância, o redator-chefe do LIBERAL conseguiu a absolvição.

Além de Gobbo, Jessyr Bianco também prestou depoimento ao Dops. Em junho de 1972, ele confirmou que as críticas eram dirigidas aos projetos mal elaborados e encaminhados por Najar à Câmara. Também na Capital, o ex-prefeito Abrahim Abraham prestou declarações no dia 27 de junho e defendeu a postura do jornal. “O LIBERAL sempre se caracterizou por uma linha combativa. O jornal vem mantendo essa linha de conduta com todos os prefeitos", declarou Abraham. B.M.


Impresso volta a incomodar o poder

Agora, é a vez do atual prefeito Diego De Nadai recorrer aos artifícios usados por seus antecessores para atacar o jornal, seja em eventos públicos, entrevistas coletivas ou participações em outros órgãos de imprensa, além do aproveitamento de redes sociais na internet. “Não é algo de agora. Não se vender aos interesses dos poderosos é uma bandeira que existe desde que o jornal nasceu, e foi por isso que ele nasceu”, destaca a diretora-adjunta Juliana Bianco Giuliani.

A Justiça de Americana julgou improcedente a ação de indenização por danos morais movida pelo prefeito de Americana, Diego De Nadai (PSDB), contra O LIBERAL. O tucano não gostou da postura combativa histórica do impresso e tentou silenciá-lo. Diego processou o diário por conta de uma série de editorais publicados em 2011, durante a greve dos servidores municipais que durou 36 dias e se tornou a maior da história do município.

"Em que pese o inconformismo do autor (prefeito), que se sentiu ofendido com o teor das publicações, a detida leitura de todos os textos não permite concluir pela ocorrência de qualquer ilegalidade capaz de ensejar o deferimento dos pedidos de direito de resposta e indenização por danos morais", sentenciou o juiz da 2ª Vara Cível de Americana, Marcelo da Cunha Bergo. B.M.
 
 
 
APJ - Associação Paulista de Jornais