13/02/2011
 
Contexto Paulista: Fim da ‘ambulancioterapia’?
(Wilson Marini)
 
Contexto Paulista
13 de fevereiro de 2011

Fim da ‘ambulancioterapia’?
O secretário da Saúde de Alckmin, o médico Giovanni Guido Cerri, tem a expectativa de que haja um grande quorum no primeiro encontro de secretários municipais de Saúde a ser promovido nesta terça-feira (15/2), na capital paulista. Pretende dar um recado direto: chega de "ambulancioterapia". O termo se refere às prefeituras do Interior do Estado que mandam pacientes para tratamentos especializados na Capital e cidades com centros médicos mais avançados.
Eis um assunto que interessa à maioria das cidades paulistas. Trata-se de um dos grandes gargalos na área da saúde em todo o Interior. Os serviços estão disponíveis no Estado, mas não estão pulverizados em todas as regiões. Ruim para quem “exporta” pacientes a outras cidades. Ruim para quem “importa”, porque congestiona os serviços e “compete” com os pacientes locais e da região. Rio Preto, por exemplo, por ser um pólo médico de excelência, recebe pacientes até de outros estados (Goiás). Como o Estado vai começar a enfrentar o problema da geografia do tratamento especializado? Essa é a expectativa para a reunião de terça-feira.

Regionalização
O secretário Cerri adianta que “o Estado vai apoiar incondicionalmente os municípios que concordarem com a regionalização". A proposta do governo estadual é integrar serviços e organizar o sistema de referência e contrarreferência, evitando, de um lado, que pacientes com casos simples sejam atendidos em hospitais de alta complexidade e, de outro, que as pessoas saiam de consultas em postos de saúde com um papel na mão, sem saber ao certo onde farão suas consultas de especialidades ou exames para apoio do diagnóstico.

Agência de Saúde
Uma das ações de regionalização está em discussão atualmente na Baixada Santista. O governo do Estado, em parceria com prefeituras, decidiu criar uma espécie de Agência de Saúde. Formou-se grupo de estudos, liderado pelo infectologista David Uip, e composto por secretários municipais de Saúde das nove cidades da Baixada. O foco prioritário será o combate à dengue, redução da mortalidade infantil, regionalização do atendimento à saúde, ampliação de leitos hospitalares, medidas para prevenir surtos de viroses e saneamento. “Esperamos levar esse modelo para outras regiões do Estado, com a proposta de aproveitar a expertise de cada município na gestão da saúde e os recursos ali instalados”, afirma o secretário Cerri.

Turismo forçado
É hora mesmo de uma redefinição nas políticas do setor. Na sexta-feira, a “Folha da Região”, por exemplo, manchetou que por deficiência nos serviços de saúde, Araçatuba "exporta" pacientes para tratamentos em dez cidades do Estado. Vão à procura de tratamentos para problemas que deveriam ser oferecidos no próprio município.
Num período de três meses em 2010, foram realizadas 253 viagens de ambulância no Estado. Ao todo, 2.168 pacientes foram transportados e outros 37 tiveram passagens de ônibus custeadas pelo município. Mas Araçatuba não é exceção. Diariamente, dezenas de ambulâncias de prefeituras cruzam as regiões do Estado levando pacientes para São Paulo, Sorocaba, Campinas, Botucatu, Jaú, Bauru, S. José do Rio Preto, Ribeirão Preto e Barretos, entre outras.

Falta investir
O presidente do Comus (Conselho Municipal de Saúde) de Araçatuba, Antônio Luiz de Souza, diz que o deslocamento de doentes para tratamento em outras cidades não se dá por vontade de cada um. Mas por encaminhamentos médicos de acordo com a disponibilidade de vagas nos centros especializados. “Eles só saem porque não há tratamento aqui”, diz. “Faltam na cidade serviços de média e alta complexidades”. A solução para evitar o deslocamento de pacientes, segundo ele, é investir. “Tem que criar serviços, rever o teto financeiro de repasses feitos ao município pelo Ministério da Saúde e definir o que cabe ao município, junto à Secretaria de Estado da Saúde”, diz.

Custo elevado
Em Sorocaba, a ideia de regionalização do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) não deverá sair do papel, segundo o “Cruzeiro do Sul”. O projeto estava sendo articulado com o objetivo de padronizar e dar mais dinâmica ao trabalho, além de diminuir o custo operacional por parte dos municípios. Mas pelo menos sete dos 15 municípios da região que integrariam o sistema devem desistir de implantar esse serviço em suas cidades, sob a alegação de elevados custos de manutenção. Quatro deles inclusive já sinalizaram que devolverão ao Ministério da Saúde viaturas recebidas por meio de doação no final de 2010. Os veículos estão parados nos estacionamentos das prefeituras.
 
 
 
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