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25/07/2010 - Contexto Paulista
Contexto Paulista: Desafio sobre duas rodas
Wilson Marini
Facilidades de crédito e baixo custo de manutenção fizeram explodir o número de motos. Em Araraquara, a frota saltou de 14.082 em 2002 para 30.367 em 2009, aumento de 115%, enquanto a população aumentou 8% no período. Em Piracicaba, as motos já representam quase 20% de toda a frota municipal de veículos. A tendência se repete na maioria das cidades. Mas nenhuma delas se preparou para esse fenômeno social. O traçado e sinalização das ruas foram feitos numa época em que reinavam absolutos os carros.
E o que poderia ser uma alternativa para o trânsito cada vez mais complicado, transforma-se agora num problemaço -- o elevado índice de acidentes envolvendo motociclistas. Em Sorocaba, o Cruzeiro do Sul informa que entre 24 de junho e 16 de julho, sete pessoas morreram em acidentes de moto na cidade. Da mesma forma, em Franca 28 morreram este ano, incluindo-se os ciclistas e pedestres atropelados. O jornal Comércio da Franca publicou dramática primeira página com os nomes e fotos das vítimas dessa tragédia urbana.
Bicicletas
A bicicleta não é poluente e de quebra ajuda o condutor a manter a forma saudável. Santos é um bom exemplo com as ciclovias que servem ao mesmo tempo trabalhadores do porto, turistas e moradores de todas as classes. Em Campinas, a prefeitura tenta incentivar há anos o uso da bicicleta como meio de locomoção e a sua integração com o transporte público. Usuários da Rodoviária e do Terminal Metropolitano, no centro da cidade, podem alugar uma bike e sair pela cidade. Mas isso é muito pouco para a realidade dessas e da maioria das outras cidades. Assim como a moto, a bicicleta também não tem vez no trânsito urbano cada vez mais complexo. É perigoso e difícil de estacionar.
Carona solidária
Compartilhar o uso de carros para reduzir engarrafamento e poluição nas cidades seria outra saída. A proposta foi apresentada esta semana por um especialista internacional, o professor da Universidade de Ciências Aplicadas de Stuttgart, Paul Rawiel, em palestra na Unesp de Presidente Prudente. Ele relatou projetos implantados em Ulm, na Alemanha, e numa cidade do Texas, nos EUA, em parcerias da instituição de ensino onde atua e a empresa Daimler, fabricante da Mercedes-Benz. “Estabelecemos convênios com a iniciativa privada para viabilizar projetos que proporcionem prática aos alunos e benefícios à população”, afirmou. Pensando agora na nossa realidade, quem está disposto a abrir mão do conforto do carro individual? Que entidades e órgãos públicos estão interessados a incentivar a população a criar alternativas viáveis para o transporte urbano?
Carros
O índice é menor em relação às motos, mas também os carros aumentam presença nas ruas em proporções que superam o crescimento demográfico. Em 10 anos, a frota de veículos licenciados de Mogi das Cruzes cresceu de 86 mil para 170 mil unidades. Em Piracicaba, em oito anos a expansão da frota de carros foi de 55%. Em debate na Assembléia Legislativa sobre o planejamento de cidades, o arquiteto e urbanista Cândido Malta Campos disse que uma das soluções nas grandes cidades brasileiras será a implantação de pedágios urbanos para controlar o acesso ao centro e áreas especiais. Em São Paulo, o rodízio com finais de placas se mostra medida insuficiente para aliviar os problemas de trânsito.
Breves
* O grupo mineiro Tenco, que constrói e administra shopping centers, aponta excesso na oferta de centros de compras nas capitais e passará a investir no Interior. Taubaté e Limeira estão no roteiro. Segundo a revista “Exame”, o grupo decidiu “comer pelas beiradas”.
* A exemplo de São Carlos, Araraquara caminha para se transformar em pólo de Tecnologia Industrial. Lideranças municipais apostam na tendência de atrair empresas que geram empregos qualificados no mercado global.
* Estudantes do Senai de Franca criaram calçado que oferece conforto térmico aos pés, aquecendo ou resfriando conforme a temperatura.
* Promotores de Santa Cruz do Rio Pardo querem limitar a venda de bebidas alcoólicas na cidade como forma de frear a criminalidade. A maioria dass cidades já associou os excessos da bebida à violência. Falta colocar o ovo em pé com leis e fiscalização.
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