10/06/2010
 
Contexto Paulista: Globalização e Regionalização
(Wilson Marini)
 
Diariamente, os jornais ligados à Rede APJ veiculam reportagens de interesse geral que extrapolam os seus limites de circulação. São chamadas de notícias locais ou regionais porque os fatos e protagonistas são da cidade ou região onde o veículo está inserido. Mas em sua essência representam tendências da sociedade que mais ou cedo ou mais tarde chegarão a outras regiões, às vezes simultaneamente.

O futurólogo John Naisbitt, em seu clássico Megatrends, lançado no enigmático ano de 1984, antecipou uma mudança de comportamento nas cidades de todo o mundo que seria notada mais claramente no Interior de São Paulo nos últimos 10 anos com os efeitos da globalização. Dizia Naisbitt que as pessoas passariam a viver uma espécie de "estado geográfico mental". Era a antevisão das chamadas comunidades virtuais, agora cada vez mais partilhadas. Quando Naisbitt fez essa previsão, ainda faltavam dez anos pelo menos para o início da era da internet e da telefonia celular -- dois dos paradigmas que marcam fortemente o modelo atual de informações e interatividade.

E de tudo o que foi escrito sobre o tema depois disso, nada alterou o mandamento básico de Naisbitt, dito quase em tom profético. Hoje, as pessoas valorizam cada vez mais o entorno onde vivem, trabalham e estudam -- a rua, o bairro, a cidade. Mas, cada vez mais, vivem mentalmente em vários locais ao mesmo tempo, seja por interesse profissional, afinidade cultural, relacionamentos, etc. Destaco abaixo em tópicos quatro notícias colhidas aleatoriamente nos últimos dias na Rede APJ, que cobre boa parte do território paulista. Elas evidenciam que estamos no mundo regional e global ao mesmo tempo. A amostragem valoriza a importância da ação local para mudar o mundo conforme se deseja e, por consequência, do jornal local como canal dessas mudanças. Julgue o leitor se são "fogo de palha", como se diz no Interior para definir algo passageiro. Ou sintomas de algo que veio para ficar. Boa viagem.

Olheiros do meio ambiente
Em Franca, existe um grupo que vive de olho e com máquinas fotográficas prontas para denunciar ao Ministério Público quem jogar lixo e entulho em terrenos baldios. O fiscal comunitário leva fotos de veículos surpreendidos no momento em que lançam resíduos em locais inadequados. E partir daí, o papel é da promotoria. Em três anos, a ação já resultou em 129 inquéritos e rendeu R$ 327 mil para o Fundo Municipal do Meio Ambiente. O dinheiro deve ser usado para investimentos ambientais.

Parceria entre cidades
Membros da Matra (Marília Transparente), ONG que atua no combate à corrupção na administração pública da cidade, iniciou contatos com pessoas sem vínculos partidários de Araçatuba visando criar no município entidade com o mesmo perfil. Andradina e Mirandópolis também já contam com grupos deste tipo e os resultados já aparecem em ações judiciais contra prefeituras e câmaras.

Atração de investimento estrangeiro
Empresários japoneses, espanhóis e alemães procuraram a prefeitura de Mogi das Cruzes nas últimas semanas para apresentar projetos de investimento no município, entre os quais fábrica de autopeças e montadora de veículos. O secretário do Planejamento, Marcos Damásio, se diz "impressionado" com o número de executivos estrangeiros que o visitaram nos últimos tempos. Piracicaba recebeu a visita do cônsul sul-coreano, Soon Tae Kin, com o objetivo de apresentar o projeto da montadora Hyundai na cidade. Além da fábrica e das empresas-satélites, o projeto prevê a construção de uma vila de coreanos e até um shopping.

Educação com regras locais
A Câmara de Jacareí aprovou projeto de lei que prevê a proibição do uso de celulares, equipamentos MP3, máquinas fotográficas e aparelhos similares durante as aulas nas escolas municipais. Segundo o vereador autor da proposta, a lei servirá para auxiliar as professoras a impor limites aos alunos. "A figura do professor passa por um momento de crise de autoridade e a lei dará mais respaldo legal para a proibição", disse. Para ele, os equipamentos eletrônicos tiram a atenção das crianças, substituindo o momento em que devem aprender a se concentrar no aprendizado.