14/10/2011 - ANJ informativo online
 
Crescem pressões sobre News Corp
(Valor Econômico)
 

Edição – 13 de outubro de 2011

Crescem pressões sobre News Corp

Valor Econômico - Tecnologia & Comunicação – 13/10/2011 – Pág. B2

A News Corp. enfrentará outra onda de indagações nas próximas semanas como resultado do escândalo envolvendo seu jornal "News of the World", uma vez que novos testemunhos aos parlamentares britânicos que estão investigando os grampos telefônicos perpetrados por jornalistas coincidem com o aumento das pressões dos acionistas sobre o grupo de mídia dos EUA e sua filial britânica British Sky Broadcasting (BSkyB).

A comissão investigadora da Câmara dos Comuns que cuida do escândalo anunciou que pretende ouvir Les Hinton, um ex-diretor dos jornais britânicos do grupo, em 24 de outubro. Em julho, a comissão interrogou Rupert Murdoch, presidente-executivo e presidente do conselho de administração da News Corp., e seu filho James, vice-diretor operacional da News Corp. e presidente do conselho da BSkyB.

Hinton reaparecerá diante da comissão três dias após a assembleia anual de acionistas da empresa. Um voto de protesto é esperado na reunião depois que grupos de consultoria a investidores como o ISS e o Glasse Lewis, recomendaram aos acionistas que votem contra a reeleição dos membros da família Murdoch e alguns outros diretores.

A família Murdoch controla 40% dos votos no evento e poderá contar com o príncipe saudita Al Waleed bin Talal, cuja participação é de 7% no capital votante. É quase certo que prevalecerão. Para especialistas, um grande protesto poderia pressionar diretores para considerar concessões maiores em governança.

A News Corp. disse que a exposição ao litígio poderá afetá-la financeiramente, mas seus negócios continuam fortes e as bonificações para os executivos, incluindo Murdoch, são justificadas pelo retorno aos acionistas de 49,5% obtido em 2010.

Hinton, um confidente de Murdoch após trabalhar para ele por 52 anos, mudou-se para os EUA em 2007. Ele vai testemunhar por vídeo, de Nova York, sobre o que sabia e a extensão dos grampos. Em 2009, disse aos mesmos parlamentares, que uma investigação interna não revelou evidência de uma disseminação. Os acontecimentos recentes sugerem que essa foi uma impressão bastante equivocada.