APJ - Associação Paulista de Jornais
31/07/2010 - Jornal da Cidade - Bauru
 
Pai e filha morrem no trecho urbano da Rondon, que virou “avenida da morte”
(Mariana Cerigatto/Com Tisa Moraes)
 
Uma colisão no trecho urbano da rodovia Marechal Rondon, em Bauru, acabou em tragédia no início da manhã de ontem. O acidente matou a estudante Sarah Cavalheri Felisbino, 18 anos, e seu pai, José Antônio Felisbino, 49 anos. Após colidirem contra um carro enquanto trafegavam pela rodovia, as vítimas foram arremessadas ao solo e atingidas por um caminhão na altura da alça de acesso ao Jardim Cruzeiro do Sul.

Conforme divulgado pelo JC em outras ocasiões, o trecho urbano da rodovia Marechal Rondon em Bauru tornou-se uma espécie de “avenida” para encurtar trajetos entre bairros e, atualmemte, é responsável por cerca de 20% do total de acidentes registrados nos 400 quilômetros da parte Oeste da via.

De acordo com a Polícia Rodoviária, que atendeu a ocorrência por volta das 7h40 de ontem, José conduzia uma motocicleta Honda Bros, com placas de Bauru, tendo a filha Sarah como passageira. Eles trafegavam pela rodovia Marechal Rondon, nas imediações do quilômetro 341, quando José colidiu contra a traseira de um Ford Escort, com placas de Bauru. Com o impacto, as duas vítimas foram lançadas ao solo e atingidas por um caminhão Iveco Fiat, com placas de Campo Grande (MS), que fazia transporte de óleo vegetal e transitava na faixa ao lado de onde estava a motocicleta.

As rodas do caminhão atingiram a cabeça de Sarah, que morreu na hora. Seu pai teve a região do abdome gravemente ferida e foi socorrido pela unidade de resgate (UR) do Corpo de Bombeiros. Conduzido ao Pronto-Socorro Central, passou por uma cirurgia por volta das 9h30, mas não resistiu.




Carreta quebrada


Segundo a polícia, o acidente teria sido provocado por uma carreta, com placas de São Bernardo do Campo (SP), que ficou parada na pista devido a um problema mecânico, deixando o trânsito congestionado na rodovia por 3,5 quilômetros em mais de uma hora.

Devido à lentidão dos veículos, os policiais que atenderam a ocorrência disseram acreditar que José teria freado a moto bruscamente e batido na traseira do Escort, vindo a se desequilibrar do veículo, ocasionando assim a queda dele e de Sarah. O motorista do caminhão Iveco Fiat, que transitava pela pista ao lado, não teve tempo suficiente para frear e atingiu os dois.

No mesmo trecho, a Polícia Rodoviária atendeu a outros dois acidentes na manhã de ontem, devido ao trânsito lento e congestionado. Uma espécie de engavetamento foi formada entre os veículos, sendo que dois carros colidiram na traseira de outros dois automóveis, mas as ocorrências não resultaram em ferimentos nas vítimas.

Os corpos de Sarah e José Antônio seguiram para o Centro Velatório Terra Branca de Bauru, localizado na rua Gerson França, Centro, e continuarão sendo velados até as 8h de hoje. De lá, serão levados para o cemitério Jardim do Ypê, onde serão sepultados.



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Rodovia precisa de melhorias urgentes


Com apenas 13 quilômetros de extensão, o trecho urbano da rodovia Marechal Rondon em Bauru é responsável por cerca de 20% do total de acidentes registrados nos 400 quilômetros da parte Oeste da via. Os dados, de 2009, foram informados pela Via Rondon, que há um ano assumiu a concessão da rodovia entre Areiópolis e Castilho e passou a administrar 12 quilômetros do trecho urbano de Bauru.

De acordo com a concessionária, a freqüência de acidentes está ligada ao tráfego intenso neste pedaço da via, já que muitos bauruenses utilizam a Rondon como uma verdadeira avenida para encurtar caminho. Mas, por ter obtido a concessão da rodovia por 30 anos, a Via Rondon obrigatoriamente terá de realizar investimentos para aumentar a segurança e a qualidade do trânsito no local.

Dentro do prazo de oito anos, a empresa afirma que irá construir uma nova passarela no quilômetro 339 da Rondon e realizar também outras melhorias - como adequação dos encaixes das via marginais de mão única, implantação das vias marginais e construção de rotatórias - em nove dispositivos de entroncamento (do quilômetro 336,8 ao 348,3).



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Tragédia destroi família


Estudiosa e trabalhadora, Sarah era filha única de José Antônio e Maria Lúcia Cavalheri Felisbino, 48 anos. Ela morava com os pais no Núcleo Bauru 2000 e, na manhã do acidente, estava sendo levada pelo pai para realizar um exame psicotécnico para obtenção de Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

Segundo Maria Lúcia, Sarah havia completado 18 anos em 21 de julho e estava ansiosa para conquistar a permissão para dirigir.

“Ela estava animada para tirar carta e disse: ‘Pai, agora não vou mais dar trabalho para você, você não vai mais precisar me levar para todo lugar’. E o José Antônio disse: ‘Filha, eu vou querer continuar te levando onde você precisar’. Eles estavam muito felizes quando saíram de casa”, relembra a mãe, ainda muito abalada com a perda da família.

José Antônio trabalhava no setor de sistemas de informação de uma instituição bancária e Sarah era estudante. Faltavam apenas dois meses para ela se formar no curso de segurança do trabalho da Escola Técnica Estadual (Etec) Rodrigues de Abreu, em Bauru. Seu sonho era conseguir um emprego nesta área.

Há quatro anos, a adolescente namorava Marcos Vinícius Ferreira, 21 anos, que ficou chocado com a notícia do acidente. No velório, ele permaneceu por longas horas ao lado do caixão da namorada, que estava lacrado e repleto de fotografias.

Dezenas de amigos da garota também compareceram para prestar a última homenagem. Em meio à tristeza, as fotos dela e do pai que enfeitaram o local serviram para relembrar os bons momentos que ambos viveram juntos. “Ela era muito grudada no pai. Era uma filha muito boazinha, ele também era muito bom para mim, muito trabalhador. Às vezes, eu dizia que a Sarinha era mais adulta do que eu, de tão responsável e estudiosa que ela era”, relata a mãe.

A amiga Pâmela Cristina Coelho conta que considerava Sarah como membro da família, já que a garota namorava o seu primo, Marcos Vinícius. “Nós estudamos juntas na Escola Municipal Santa Maria, no ensino médio. Numa coincidência, descobri que ela era namorada do meu primo Vinícius”, comenta Pâmela.

Sarah é lembrada por Pâmela como uma pessoa muito alegre, divertida, cativante e religiosa. “Quando começou a namorar meu primo, ela começou a frequentar uma igreja, onde participava do grupo de dança. É inacreditável que a vida dela tenha acabado com esse acidente”, diz a amiga, emocionada.

O pastor da igreja evangélica que Sarah frequentava há três anos, Adriel Tavares de Andrade, conta que a menina era muito presente dentro da instituição religiosa e atuava como professora de dança para crianças.
 
 
 
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