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APJ - Associação Paulista de Jornais
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30/07/2010 - Comércio da Franca - Franca |
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| Grávida, 12 anos. E não sabe de quem |
| (Nelise Luques) |
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De família nordestina, vinda do Ceará, uma menina de 12 anos sonha ter uma casa da Barbie e colecionar a boneca mais famosa do mundo. Mas o brinquedo tão desejado será substituído por um bebê. A garota está grávida de seis meses e o filho deve nascer em outubro. Para agravar a situação, ela alega que não sabe quem é o pai.
O padrasto, 53, que vive com a mãe dela há quase um ano e meio, é suspeito de ter engravidado a enteada. Ele nega. “Estou para escanteio, prensado. Não devo nada, lógico que não”, diz. À mãe, conselheiros tutelares e à polícia, a menina afirma que engravidou no sábado de Carnaval depois de sair com uma moradora de rua, de 17 anos, que faz programas. Segundo a mãe, a filha teria saído sem sua autorização com a adolescente e, ao chegar à Avenida Brasil, as duas encontraram dois rapazes e seguiram de carro para a região do Clube Castelinho e depois transaram em um matagal. “O cara obrigou ela a ter relação com ele”, diz a mãe.
A criança completará 13 anos em agosto, mas com o corpo franzino, aparenta ter menos idade. A barriga é notada. Ontem, apenas abraçou a mãe e chorou. A dona de casa MDF, 35, acredita na inocência do companheiro, mas desconfia da história defendida pela filha. “Até hoje estou por entender como isso (gravidez) aconteceu. Em nenhum momento tive desconfiança do meu companheiro porque se tivesse, seria a primeira a botar ele atrás das grades. Vejo que tem respeito com ela, não é de ficar com liberdades”. A mãe disse que a filha menstruou pela primeira vez no ano passado.
DIFICULDADES
A família, que mora na Vila Aparecida, já é acompanhada pelo Conselho Tutelar porque a mãe tem problemas com a filha de 11 anos, que costuma fugir de casa. Na semana passada, os conselheiros foram avisados que a filha mais velha de MDF estava grávida. As duas estiveram no Conselho Tutelar, que encaminhou a criança para atendimento médico e psicológico na rede pública. Anteontem, dia 28 de julho, o Conselho teve outra informação sobre a história. Recebeu denúncia anônima, por telefone, de que o padrasto teria abusado da enteada e seria o pai do bebê.
O caso foi comunicado ainda na quarta-feira à DDM (Delegacia de Defesa da Mulher), que está investigando a história. MDF e a filha grávida foram ouvidas duas vezes, na quarta e quinta-feira, pelo delegado Eduardo Bomfim, que responde interinamente pela DDM. Ontem, a menina de 17 anos, que teria acompanhado a de 12 anos, também prestou depoimento à polícia, mas as histórias não coincidem. “Há muitas contradições. A primeira versão dada pela menina grávida não é o que realmente aconteceu. Hoje (ontem) ela apresentou várias outras versões. Acredito que em um ou dois dias teremos a história esclarecida”, disse o delegado. O padrasto também deve ser ouvido na delegacia.
A DESCOBERTA
A garota de 12 anos não contou à mãe que estava grávida. MDF desconfiou porque a menstruação estava atrasada. “Eu que compro absorventes para ela”. A dona de casa viajou com as três filhas para o Ceará para receber herança do pai, morto no início do ano, e, incentivada pelos familiares, levou a filha ao médico na cidade de Juazeiro do Norte. Após exames, foi confirmada a gestação. A dona de casa espera descobrir quem é o pai do neto. “Não imagino quem seja. Não sei idade, nem nome. Quero que a polícia ajude a gente a descobrir”. |
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