APJ - Associação Paulista de Jornais
30/07/2010 - Jornal da Cidade - Bauru
 
Marina defende correções na saúde e no Bolsa Família
(Nélson Gonçalves e Lígia Ligabue)
 
Adversária de Dilma (PT) e Serra (PSDB) tenta atrair simpatizantes religiosos e enfatiza ajustes no PSF e programas sociais


A candidata à Presidência da República Marina Silva (PV) tenta intensificar ações nesta fase da campanha eleitoral para se aproximar também do público mais próximo de sua convicção religiosa, os evangélicos. Ontem de manhã, em campanha em Bauru, a assessoria de Marina chegou antes a uma reunião com integrantes do Conselho de Pastores Evangélicos, no Centro, para preparar material. Em outra dose do conteúdo de sua mensagem eleitoral, a ex-ministra do Meio Ambiente do governo Lula insere passagens, personagens ou elementos bíblicos em seu discurso para abordar temas variados, além de pontuar com o recado de que não será complacente com erros de programas sociais da atual gestão, com ênfase à área de Saúde, o Programa de Saúde da Família (PSF) e o Bolsa Família (PBF).

Logo pela manhã, para encontro agendado com evangélicos, ela disse que é preciso não satanizar temas na campanha, ao responder a pergunta de um pastor sobre sua posição sobre a legalização do aborto. “Eu defendo plebiscito para o aborto nas formas não previstas em lei. Mas é preciso evitar a satanização de contras e a favor do aborto e fazer o debate. Sobre o casamento gay, não se pode fazer discriminação a quem quer que seja. Não sou a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo, mas defendo as garantias sociais a todos. Minha posição causa estranhamento, mas vou defender não à injustiça diante de Deus”, disse. Antes, ela lembrou Maria Madalena, da passagem bíblica, para defender que os homens não podem ser os julgadores, mas somente Deus.

Sobre o debate em torno de ações de governo, a candidata argumenta que o Brasil precisa de um sucessor para o presidente Lula e não de “um continuador ou opositor ao governo”. “Não vou ser incoerente e injusta de não reconhecer que grande parte da forma como o País passou a crise foi em função de programas sociais que trouxeram avanços. Mas não posso ser complacente com erros, como no Saúde da Família”, abordou.

Em entrevista coletiva, ao ser indagada sobre quais erros precisam ser corrigidos no PSF e alterações que defende no formato de programas sociais compensatórios, a candidata se confundiu ao repetir posição sobre a discussão da reserva legal. Depois, Marina pontuou, em particular, que além da integração de programas e políticas sociais, será necessário, por exemplo, rediscutir a efetividade de contrapartidas. “No Bolsa Família não se pode cortar o benefício porque um filho não foi à escola, porque há razões estruturais em jogo, como doença, violência nos lares. Mas temos de rediscutir essas contrapartidas e garantir avanços, como o atendimento à saúde”, abordou.

A candidata reiterou a defesa do SUS como conceito de universalização, na área de saúde, mas acrescentou que “falta qualidade e ganhar escala com programas que garantam a humanização do atendimento, como o Centrinho faz aqui em Bauru. O PSF precisa funcionar e vamos mostrar os erros”.

Marina Silva enfatizou necessidade de ajustes nos programas sociais, criticou que na educação 40% dos alunos não chegam à 8ª série e, ainda na área de Saúde, reforçou que é preciso forçar a União a investir 10% no setor, meta que não é cumprida. “O prefeito Rodrigo investe mais de 20% em Bauru, o Estado tem obrigação de aplicar 12% e a União não cumpre os 10% vinculados. Vamos atacar esse problema”, citou.

Ela ainda defendeu a viabilidade de aliança programática para garantir governabilidade sem troca de favores e, para tanto, exemplificou que diferentes partidos contam com homens públicos com princípios, citando Pedro Simon (PMDB), Eduardo Suplicy (PT) e Cristovam Buarque (PDT).




Estratégia


O staff da presidenciável também cuidou de comparecer bem cedo ao local do encontro com evangélicos. Para isso, a assessora do gabinete de Marina no Senado, Jane Maria Vilas Boas, veio estrategicamente de Brasília para apresentar aos religiosos o crescimento da candidata do PV entre os fieis. A assessora ainda pediu esforço para popularizar as ideias vinculadas ao desenvolvimentismo e sustentabilidade, defendidas por Marina, e o engajamento pela Internet, através do www.redemarina.com.br.

À tarde, a candidata admitiu a aproximação com o público e ainda confirmou que a assessora retornou ainda ontem à Brasília, para evitar dissabores com o fato de deixar o trabalho oficial para atividade de campanha. Ainda assim, a integrante da Igreja Assembleia de Deus, tentou evitar a confirmação do plano junto ao público próximo de sua convicção religiosa. “Há mobilização espontânea em várias frentes, como acontece com o Casa de Marina, com os jovens. Com a comunidade evangélica está se fazendo a mesma coisa, mas é movimento independente”, disse.

Ela afirmou que não faz campanha em igrejas, mas argumentou que não pode impedir fieis de agirem. “É uma estratégia legítima. Não tem o aspecto conspiratório que as vezes as pessoas querem que tenha. Não tenho usado os cultos para fazer campanha, mas eles democraticamente têm o direito de fazer seus movimentos”, abordou.



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Candidata defende direitos civis de homossexuais e exalta o Centrinho


Marina Silva, candidata do Partido Verde (PV) à Presidência da República, passou a quinta-feira em Bauru. A agenda cheia permitiu que ela abordasse temas variados, como aborto, garantias de direitos civis a homossexuais e humanização da Saúde com unidades regionais de referência, a exemplo do Hospital do Centrinho (USP).

Pela manhã, a ex-ministra do Meio Ambiente no governo Lula se reuniu com o Conselho de Pastores Evangélicos e, à tarde, conheceu o Hospital do Centrinho, inaugurou seu comitê batizado de Casa de Marina e, após caminhar pelo Calçadão da Batista de Carvalho, encerrou a agenda de campanha com comício na Praça Rui Barbosa.

Na comitiva de Marina, entre outros, estavam o candidato ao Senado pela legenda, Ricardo Young, e a vice-governador, Rogério Menezes. De Bauru, os aspirantes a deputados estadual e federal, Clodoaldo Gazzetta e Raul Gonçalves de Paula, respectivamente, também acompanharam Marina. O deputado federal José Paulo Tóffano se juntou à comitiva apenas no último compromisso de campanha, no comício.

No encontro com evangélicos, sua religião, a candidata reconheceu avanços conquistados nos últimos anos, como o Bolsa Família, mas também afirmou que existem erros a serem corrigidos, como no Programa de Saúde da Família (PSF), embora sem elenca-los.

Ela reforçou a plataforma de crescimento sustentado do País e reiterou sua crítica à “eleição plebiscitária” sobre o passado dos candidatos. “Embora a trajetória de cada um seja importante, o importante é saber como cada candidato vai enfrentar os desafios que temos”, disse.

No Centrinho, Marina tirou dúvidas sobre a abrangência do serviço oferecido pela entidade, referência internacional no tratamento de anomalias craniofaciais e que atende exclusivamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) pacientes de todo o País.

Na unidade, a candidata conversou com médicos, voluntários e pacientes, além de atender aos pedidos de fotografia e abraços, situação que se repetiu em caminhada pelo Calçadão e por outros lugares por onde passou.

Ela se mostrou impressionada com a estrutura e a universalidade do atendimento oferecida pelo Centrinho, citando a instituição como exemplo para criação de políticas públicas para a saúde.

Em seguida, os candidatos foram até o Jardim Dona Sarah, onde foi inaugurada a Casa de Marina, em Bauru. O casal Rodrigo e Camila Sugayama emprestou o seu apartamento para ser utilizado como base da divulgação de informações sobre a candidata. “Um amigo de São Paulo tinha o acesso ao movimento e nós nos cadastramos na rede de relacionamento da candidata. No que for possível, vamos atuar na campanha dela”, contou Camila.

No prédio que recebeu a primeira Casa de Marina de Bauru, a candidata também concedeu entrevista coletiva à imprensa e seguiu para uma caminhada pelo Calçadão. Marina encerrou suas atividades em Bauru após um comício na Praça Rui Barbosa.



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Para Young, reserva legal
deve prever compensação



Candidato ao Senado pelo PV, o empresário Ricardo Young, comentou sobre a reforma do Código Florestal Brasileiro, em discussão no Congresso, e sugeriu soluções para a dificuldade que os pequenos agricultores terão em se adaptar à necessidade da reserva legal. Proprietários rurais terão até junho do ano que vem para averbar parte de sua terra como área destinada a reserva legal. Caso contrário, devem pagar multas pesadas, pelas regras atuais.

Young, que já foi presidente do Instituto Ethos e do UniEthos, avalia que qualquer ação de recomposição da reserva legal deve favorecer primeiro os pequenos proprietários rurais. “Pode não parecer isso num primeiro momento, pois vai diminuir a área de cultivo e exigir um sacrifício inicial. Mas vai privilegiá-los no longo prazo. Eles terão uma condição ambiental favorável, de retenção de água no solo, de preservação de mananciais muito maior. A recomposição da cobertura vegetal é completamente pró o interesse do pequeno agricultor”, pontua.

Porém, ele reconhece que a efetivação dessa reserva será difícil. “Essa, transição entre a necessidade de recomposição e a situação atual, precisa ser administrada. Uma das formas de se administrar é você permitir a compensação na mesma bacia hidrográfica. É uma proposta que a própria Marina já tinha e acabou não sendo incorporada, mas está pronta”, observa.
 
 
 
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