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APJ - Associação Paulista de Jornais
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29/07/2010 - ANJ informativo online |
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| Novela jornalística por documentos vazados |
| (O Globo) |
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Edição – 29 de julho de 2010
Novela jornalística por documentos vazados
O Globo – Economia – 29/07/2010 – 29/07/2010 – Pág. 32
Não fosse um curioso, persistente e importante colaborador do jornal britânico “Guardian”, o escândalo sobre o vazamento de documentos relacionados à guerra no Afeganistão não teria atingido tais proporções. A reportagem, para muitos jornalistas um sonho de carreira, só foi obtida depois que Nick Davies iniciou, em junho, uma verdadeira jornada atrás do fundador do site Wikileaks, Julian Assange, com quem negociou insistentemente a divulgação.
O interesse de Davies surgiu em meados de junho, quando o soldado Bradley Manning, analista de inteligência do Exército americano, foi acusado de vazar uma quantidade enorme de documentos confidenciais sobre os Estados Unidos ao site. A partir daí, o repórter sabia que o Wikileaks publicaria novos dados, e esperava conseguir convencer Assange de ter seu jornal entre os beneficiados.
Depois de inúmeras pesquisas e telefonemas a uma rede de pessoas ligadas ao fundador do site, o jornalista descobriu que Assange estaria no Parlamento Europeu.
— Enquanto eu estava no trem, tentei formular o que diria a ele — relembrou Davies. — Não ia funcionar se eu dissesse “sou um repórter ganancioso, e gostaria de pegar todas as suas informaçõs e colocar no meu jornal”— contou.
No dia 22 de junho, durante um encontro de seis horas num café de Bruxelas, Assange sugeriu que tanto o “Guardian” quanto o “New York Times” tivessem acesso a algumas informações do site sobre a guerra no Afeganistão. Cada jornal publicaria partes dos documentos. No dia seguinte, o fundador do Wikileaks informou que a revista alemã “Der Spiegel” também estaria entre os beneficiados.
Como num filme, Davies preferiu não contar a proposta por telefone. Resolveu, então, pegar um trem de volta para a Inglaterra, onde informou Alan Rusbridger, editor-chefe do “Guardian”, sobre as negociações. Rusbridger, por sua vez, ligou
para Bill Keller e Mathias Müller Von Blumencron, editores do “New York Times” e da “Der Spiegel”.
O acordo também parecia de cinema: apesar de não haver — na época — uma data fixa para a publicação, o Wikileaks concordou em segurar os documentos por apenas algumas semanas.
Os jornais e a revista dariam o material simultaneamente com o site, assim que determinada a data de publicação. O dia deveria estar de acordo com todos os editores, já que a revista é semanal.
Finalmente, foi decidido que às 22h (em Londres) do dia 25 de julho, o mundo teria acesso a milhares de informações sobre a guerra no Afeganistão.
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