Edição: 14/06/2009
Entrevista: José Aníbal

 

 

Entrevista - José Aníbal
Líder do PSDB vê ‘roubalheira’ no governo
Líder da base tucana e detentor de bom trânsito nas alas de José Serra e Aécio Neves, o deputado federal José Aníbal acredita que o quadro político favorecerá as comparações entre ações de governo de PT e PSDB, sobretudo, no combate à crise e na prestação de serviços públicos.

Em entrevista à Associação Paulista de Jornais (APJ), ele critica a lentidão do PAC e vê letargia nas reações do governo Lula ante o aprofundamento da crise econômica. Para o parlamentar, a gestão petista é leniente com a corrupção e os altos índices de popularidade do presidente não o liberam do questionamento assertivo da oposição.

“O papel da oposição é alertar, cobrar, questionar. Não podemos nos omitir diante de um governo que é gastador, que permite roubalheira e corrupção”, sustenta Aníbal.
Associação Paulista de Jornais - Frente à crise na imagem do Congresso, abalado pelo novo escândalo das passagens, o senhor acredita que seja possível recuperar a credibilidade da Casa em ano pré-eleitoral?
José Aníbal - O Congresso tem vários desafios, simultaneamente. O principal deles é elaborar e aprovar projetos que interessam ao país e ajudem a melhorar a vida dos trabalhadores.

APJ - O Congresso vive um momento ruim...
José Aníbal - Não é um momento bom. Há um rebaixamento da qualidade da nossa atividade. Embora tenhamos votado algumas matérias importantes, é preciso que tenhamos uma pauta que cause um resultado mais satisfatório para a sociedade. Inclusive, o governo já começa a adotar iniciativas de combate à crise e isso passa pela Câmara. A crise exige uma atividade permanente de iniciativas que devem ser aprovadas no parlamento. Estamos cobrando isso do governo.

APJ - Quando o governo experimenta altíssimos índices de aprovação, qual o papel da oposição no sentido de estabelecer o contraditório sem que se passe a imagem do ‘quanto pior, melhor’?
José Aníbal - É uma questão que neste governo, em função da avaliação positiva do presidente, se tornou emblemática. Quem critica quer o pior? Conversa fiada. Quem critica quer o melhor. Nós não podemos nos omitir diante dos malfeitos deste governo. É licencioso, gastador. Tem corrupção, roubalheira. O governo gasta excessivamente no custeio. Outra questão importante, o PAC, que é o principal instrumento de campanha da ministra [Dilma Rousseff] não chegou este ano a 3% de execução. Imagina se vai se executar 97% até o final do ano? Não vai. A oposição tem que fazer este trabalho de questionamento. Até porque o que está se atrasando no investimento em logística no Brasil afeta nossa capacidade de competir. E isso já é nítido nas estatísticas.

APJ - Essa postura não passa a impressão ao eleitor de que a oposição age contra o PAC?
José Aníbal - Não, somos totalmente a favor do PAC. Estimulamos várias vezes. Desde novembro, estamos falando que o grau de execução do PAC está baixo. Piorou este ano. Estamos alertando. Por que vou silenciar diante de indícios de má gestão e desvio de dinheiro público? É preciso cobrar e mostrar que é possível fazer melhor. O quadro político em que passaremos a operar vai permitir que façamos estas comparações.

APJ - O discurso do gasto público eficiente, do choque de gestão repercute no eleitorado?
José Aníbal - Em São Paulo, por quatro vezes o eleitorado renovou a confiança no PSDB por esta razão. Esta visão de que o poder público tem que atender a sociedade com eficiência. E quanto você tem bonança você tem que criar condições para que este atendimento seja cada vez melhor. Este governo perdeu um grande momento de bonança nos últimos quatro anos no mundo. Eles não fizeram o dever de casa, promoveram muita gastança em custeio, propaganda, licenciosidade com o dinheiro público. E agora com a recessão, faltam ao governo brasileiro recursos para investir.

APJ - Qual o papel do líder de bancada em um momento de disputa interna, de tensão entre alas pró-Serra e pró-Aécio, para mediar conflitos entre seus integrantes?
José Aníbal - O ambiente, sob este aspecto, é positivo. A percepção de que a nossa unidade é a pedra de toque para a vitória é de todos. Então, todos somos PSDB. Todos somos Serra, todos somos Aécio. Todos queremos que o PSDB vença as eleições. E temos a consciência de que o Serra tem a preferência. Mas respeitamos o governador Aécio, que quer continuar a discussão no partido sobre seu desejo de concorrer. Agora, no início do próximo ano, se não houver esta convergência natural, que acho possível, teremos de arbitrar.
Fábio Zambeli
Da Associação Paulista de Jornais