Edição: 14/06/2009
Entrevista: Cândido Vaccarezza

 

 

Entrevista - Cândido Vaccarezza
Oposição está sem bandeira, diz líder petista
A bancada governista na Câmara cobra do PSDB e do DEM que as manobras de obstrução da pauta preservem os projetos que interessam à equipe econômica, especialmente os que refletem no enfrentamento da crise.

Em entrevista à Associação Paulista de Jornais (APJ), o líder da base aliada, Cândido Vaccarezza (PT), afirma que a oposição tem de ser feita ao governo, e não ao país.

“Eles [opositores] estão sem bandeira e ficam procurando assunto. É CPI da Petrobras, é a crítica ao PAC. O que pedimos a eles é que façam oposição ao Lula e não ao país”, diz o petista.

Vaccarezza diz que o projeto do terceiro mandato ao presidente não tem apoio da bancada petista e vê chance de discussão de propostas relevantes no Congresso ainda este ano, a despeito da agenda eleitoral.
Associação Paulista de Jornais - Qual a pauta prioritária do Congresso para enfrentar a crise de credibilidade da instituição?
Cândido Vaccarezza - Primeiro, nós precisamos dar prioridade a todas as questões relativas à crise econômica. O Brasil precisa de firmeza e da votação de propostas que enfrentem a crise internacional. E isso o governo está fazendo bem. As questões que estimulam o desenvolvimento econômico, a criação de empregos e a distribuição de renda. Propostas que promovam a infraestrutura. Cito como exemplos a PEC [Proposta de Emenda Constitucional] do Trabalho Escravo, a redução para 40 horas semanais, que vai permitir a criação de muitos empregos. Vamos criar condições de ampliar o mercado interno, pois, na medida em que você tem mais gente trabalhando é bom para o país. E alguns projetos que estão parados e precisam ser discutidos, como a proposta do Congresso Revisor para viabilizar a reforma política.

APJ - Mas as mudanças não valeriam para 2010, então?
Vaccarezza - Para 2011, os deputados e senadores eleitos terem o poder de revisar itens da Constituição que têm a ver com as questões de Estado. O papel do Senado, o processo eleitoral. Só temas relativos à reforma política.

APJ- A agenda eleitoral de 2010 pode dificultar os trabalhos do Congresso no segundo semestre?
Vaccarezza - Não, temos votado questões importantes em anos eleitorais. O processo legislativo é diferente do eleitoral. No ano que vem, é claro que haverá um debate político. Mas nós votamos, por exemplo, vários projetos importantes em 2008, que foi um ano eleitoral. Não vejo esse risco que você está dizendo.

APJ - Nem mesmo nas negociações com a oposição pode haver esta contaminação da agenda do Legislativo com a disputa presidencial, por exemplo?
Vaccarezza - A oposição está obstruindo, tem obstruído a pauta, que é o papel deles enquanto oposição. O que nós temos pedido a eles é que façam oposição ao governo e não ao país. Tem coisas que nós temos pedido a eles para que considerem os interesses do Brasil e não os interesses deles. Isso seria um grande avanço.

APJ - Então, ainda há espaço para o diálogo em temas considerados mais relevantes, como os ligados ao enfrentamento da crise?
Vaccarezza - Espaço para o diálogo sempre existe, mas a oposição tem sido muito dura. Tudo isso temos de ajustar com bastante cuidado para fazer acordos nas votações que serão vitais para o país.

APJ - A reapresentação do projeto que permite o terceiro mandato para o presidente não atrapalha este diálogo com a oposição?
Vaccarezza - Não atrapalha em nada. O PT e o governo têm posições claras em relação a este assunto. O PT tem compromisso com a democracia. E como parte deste compromisso, queremos fazer uma reforma política. Quando o Lula foi eleito, não era possível a segunda reeleição. Então não concordamos com a possibilidade de o presidente da República ter mais de uma reeleição.

APJ - Como o senhor avalia o fato de a oposição criticar o baixo índice de execução de obras do PAC?
Vaccarezza - A oposição é contra o governo e é contra o PAC. E é contra o Lula. Agora, os dados que eles têm não são reais. Já foram entregues várias obras do PAC. O presidente Lula, inclusive, aumentou os recursos para o PAC. Então, eles estão meio sem bandeira, e ficam procurando assunto. É a CPI da Petrobras, é uma informação desencontrada que eles dão sobre o PAC. Mas o povo do Brasil está vendo a grande obra que o governo federal está fazendo.

APJ - A que o senhor atribui o aumento da popularidade do presidente Lula, conforme atestam as últimas pesquisas de avaliação de mandato?
Vaccarezza - É o resultado que reflete o apoio da população à política de desenvolvimento econômico, distribuição de renda e inserção social que nós estamos observando em todas as ações do governo.
Fábio Zambeli
Da Associação Paulista de Jornais