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APJ - Associação Paulista de Jornais
Edição: 31/05/2009
Entrevista: Aloysio Nunes Ferreira

 

 

Entrevista - Aloysio Nunes Ferreira
Para Aloysio, 3º mandato é ‘agressão’
Para o secretário da Casa Civil do governo de São Paulo, Aloysio Nunes Ferreira, um terceiro mandato ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) seria uma agressão à Constituição, mas minimizou críticas ao presidente da República ao afirmar que ele tem sido muito correto com São Paulo. Homem forte do governador José Serra (PSDB), cogitado para disputar a sucessão paulista em 2010, Aloysio nega a pretensão da pré-candidatura. Durante uma hora e meia, em entrevista exclusiva à APJ, no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo, Aloysio defendeu o programa de privatização de estradas com implantação de pedágios e disse que há muito preconceito, demagogia e sensacionalismo de políticos e da imprensa nas críticas ao programa do governo de construir novas penitenciárias no Interior. “Não se pode construir presídio na Lua. O presídio tem que ser colocado nas cidades e regiões onde são mais necessárias”, alegou afirma, no entanto, que as saídas temporárias de presos previsto em lei federal, a chamada “saidinha” de presidiários por bom comportamento no Dias das Mães e outras datas, é uma das “bizarrices do Brasil”.

A Assembléia Legislativa instalou, depois de dois anos tramitando na Casa, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar uma suposta fraude em contratos da CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano), principalmente na região de Presidente Prudente. Aloysio garante que o governo não tem receio dessa CPI e respondeu que quem tem medo de CPI é o governo federal ao ser referir à CPI da Petrobrás instalada no Congresso Nacional. A seguir os principais trechos da entrevista.
APJ – Há um movimento de buscar um terceiro mandato para o presidente Lula? Como o senhor vê essas articulações?
Aloysio Nunes Ferreira - É uma agressão à Constituição. Eu acredito que o presidente é sincero quando diz que não quer (mais um mandato). Eu tenho muitas críticas a sua gestão, mas não tenho nenhuma dívida quanto ao seu compromisso com a democracia.

APJ - Que críticas seriam essas?
Aloysio - Eu vejo problemas especialmente na gestão do ponto de vista econômico, perdemos oportunidade de crescer mais no momento de grande prosperidade mundial, por conta de câmbio equivocado. Acho que o governo Lula abusa do incremento de custeio, que é como o colesterol ruim das pessoas. Os investimentos públicos têm nível decepcionante, não acrescentou nenhum quilowatts no parque energético do país. Acho que ele acordou tarde para que há uma problema habitacional. Depois de seis anos e meio lançar uma política habitacional para atender a questão habitacional do país é uma descoberta tardia, o que me leva a crer que há problemas de gestão em seu governo. O PAC só desembolsou até agora R$ 16 bilhões. Nos primeiros anos já investimos R$ 20 bilhões no Estado. Acho que o tema político, ele cometeu um erro grave que foi o aparelhamento pelo PT de órgãos do Estado que já estavam fora do chamado mercado político. Em órgãos como Banco do Brasil, Petrobrás, agências reguladoras, chamado aparelhamento, que causou prejuízo ao seu próprio governo. O presidente tem sido muito correto no trato com o governo de São Paulo. Está atendo aos nossos problemas. O Rodoanel Sul tem uma participação do governo federal.

APJ - Neste momento, o senhor se vê como pré-candidato a governador de São Paulo? Por quê?
Aloysio - Eu cansei de dizer isso. Não sou neste momento pré-candidato a governador do Estado de São Paulo. Neste momento eu sou secretário-chefe da Casa Civil do governo Serra. E porque nós temos um governo pela frente. Essa decisão de ser candidato ou não vai depender de muita coisa, inclusive da decisão do governador de vir a ser candidato a presidente da República. Acho que seria absolutamente prematura e incompatível com a minha função estar aí hoje como pré-candidato do governo. Tenho funções pesadas de coordenação de governo, de articulação de uma base política que é pluripartidária, pertenço a um partido que tem muitos nomes e condições de disputar eleição, de modo que seria absolutamente ruim para o governo e para meu próprio desempenho dentro da secretaria estar agora em campanha eleitoral.

APJ - Até que ponto pesquisas como a recente do Datafolha, que apontam o ex-governador Geraldo Alckmin em melhor situação que o senhor pode influenciar na definição do PSDB?
Aloysio - Inegavelmente o ex-governador Geraldo Alckmin tem prestígio político, é um nome conhecido, foi um bom governador, disputou recentemente várias eleições majoritárias. E eu sou um político mais dedicado à articulação, a uma longa vida parlamentar. Mas o fato é que qualquer pesquisa feita, neste momento, fora de um contexto já eleitoral, ela não é decisiva para a escolha de uma eventual candidatura deste ou daquele. A história de São Paulo é farta de exemplos de que estas coisas mudam quando o eleitor começa a pensar na campanha. Quando os candidatos se apresentam, quando os programas são expostos. O que eu acho, é absolutamente normal, que o governador Alckmin tenha sempre pesquisas uma porção muito boa, e merecida. Ele também é, como eu, é secretário, não é pré-candidato. Se for ele o candidato, eu estou na campanha dele, como já estive em outras.

APJ - O senhor poderia ser candidato a uma vaga no Senado e Alckmin sairia como governador?
Aloysio Tudo isso é prematuro. O relógio da eleição foi adiantado pelo presidente Lula. Desencadeou uma série de especulações e articulações que, na minha opinião, são prejudiciais para quem está governando, para quem tem a responsabilidade de governar estados e um país, que vive um momento difícil em sua economia, com ambiente de desemprego, de medo do desemprego, de queda nos investimentos, é uma hora de somar, e não de dividir.

APJ – Por que existe a dificuldade do PSDB se compor às vésperas de eleições. Foi assim para prefeito da Capital, está sendo assim para presidente com o embate anunciado entre Serra e Aécio Neves. Isso não ajuda a oposição?
Aloysio - O PSDB não enfrentará nenhum problema na escolha do candidato a governador do Estado. Nós vamos estar unidos, qualquer que seja o nome escolhido. O fato de ter o Serra e o Aécio como eventuais candidatos acho muito bom para o partido, porque são dois governadores de muito prestígio, muito bem avaliados e dos dois principais Estados brasileiros. Não vejo como isso possa atrapalhar o partido. É óbvio, quando se chegar ao momento, se encontrará fórmula com prévia, com convenção, para escolha do candidato, e quem não for escolhido irá acompanhar o vencedor, não há nenhuma dúvida quanto à isso. Não vai haver racha no partido.

APJ - Em ano pré-eleitoral, como fazer a máquina pública funcionar sem que a agenda política contamine as ações oficiais?
Aloysio - É preciso ter espírito público. Governar naquilo que é essencial, naquilo que é importante. Não há uma receita. Acho que é uma questão muito subjetiva, colocar o interesse geral acima do interesse partidário, não discriminar no trato com os municípios aqueles que são partidários do governador e aqueles que militam em outros partidos de oposição. Adotar condutas que o governador Serra adota.

APJ - Pode ter uma dobradinha com o PTB?
Aloysio - Nós temos na Assembleia Legislativa uma base de sustentação muito ampla. Integrada pelo PTB que aliás apoiou o governador Serra na sua eleição. Mas não há ainda discussão sobre composição de chapas. Uma base muito ampla que nos permite apoiar projetos muito inovadores, polêmicos como foi por exemplo o projeto que restringe o fumo em ambientes fechados.

APJ – A Assembléia instalou a CPI da CDHU para investigar fraudes em contratos. O governo teme essa CPI?
Aloysio - Não. O fato é que não há, se você ler o requerimento de instalação dessa CPI, ela não tem um objeto claro. Não tem um fato preciso. Não vamos contestar judicialmente. Acho que a comissão vai determinar qual será o seu foco. Ela foi protocolada no início de 2007, o que ela não pode é ser uma atribuição geral de investigações. Mas nós não temos nada a esconder. As medidas que tiveram de ser tomadas pela CDHU foram tomadas, pelo Poder Judiciário, não temos nada para esconder. Por que ela está sendo aberta agora? Porque há uma regra regimental da fila, da ordem cronológica da formulação dos pedidos de CPI, haviam outras na frente, a medida que foram sendo feitos os trabalhos, foram abrindo espaço para ela. Agora nós não temos nenhum receio de CPI. Quem tem medo de CPI é o governo federal, nós não.

APJ - Como o senhor viu a polêmica da reportagem da Folha de S.Paulo sobre a suposta participação da ministra Dilma Roussef que teria se participado de um plano de sequestro de Delfim Neto quando ministro no governo militar?
Aloysio - A própria ministra já se pronunciou sobre isso.

APJ - Alguns sites (Paulo Henrique Amorim, por exemplo) usaram casos associados ao sr. (como o assalto ao trem) para repercutir aquela reportagem. O que o senhor achou?
Aloysio - Eu não leio site do Paulo Henrique Amorim. Eu nunca escondi que fui um ativo praticante das lutas políticas deste país. Eu acho que o fato de ter colocado a minha vida em risco na defesa das minhas idéias marcou para mim uma opção irreversível pela vida pública. Agora, evidentemente as formas de luta que foram adotadas por parte da esquerda nesse período, inclusive por mim, foram equivocadas.

APJ - Aproveitando a questão eleitoral, o PSDB como oposição repete o PT de ser o estilingue contra a
vidraça. Bate-se mais para quebrar do que para contribuir com a diversidade do debate, necessário para a democracia. Ou seja, o interesse é sempre o próximo pleito. Quando teremos, segundo suas palavras, uma democracia em que os partidos tenham, verdadeiramente, projetos? Quando teremos uma alternância natural de poder sem que a luta por ele macule os interesses do país?
Aloysio - Alternância de poder espero que tenhamos no ano que vem, com a mudança do PT pelo PSDB. O meu partido tem projeto sim, diferentemente do PT que foi eleito na base de um projeto estatizante, pregada a ruptura com o FMI, preconizava plebiscito sobre a legitimidade da dívida pública, e está governando com outro programa. Exacerbando até, o programa que faz com que hoje o PT seja um partido profundamente ligado aos interesses do capital financeiro. O nosso partido tem um programa que foi aplicado a risco no governo Fernando Henrique, foi responsável por grandes progressos no País, em todas as áreas, na Educação, na infra-estrutura, na cultura, no aprimoramento da democracia, aqui em São Paulo se pegar o programa de governo e o discurso de posse do governador Serra se verá que nós estamos seguindo a risca as orientações que estão ali, com melhoria na qualidade de ensino, expansão do ensino técnico, expansão do transporte coletivo, melhora no atendimento à saúde pública, segurança pública. Tudo isso foi dito na nossa campanha eleitoral. Milimetricamente, eu diria.

APJ - Tivemos dois episódios ligados à Educação. Um deles provocou a demissão da secretária. Parece que não houve cuidado na escolha de livros didáticos?
Aloysio - Evidentemente que estes livros não deveriam ser entregues a rede escolar, nem para criança e nem para jovens do ensino médio. Os autores ao fazerem o seu trabalho, se pensava em outro público, o público que gosta de quadrinhos, aliás autores muito bons. Agora está sendo apurado o que aconteceu, quem fez essa escolha. O Serra mandou apurar. Ele ficou absolutamente indignado com isso. O secretário fica. Nós temos na educação de São Paulo tanta coisa nova e boa para mostrar que isso é apenas um detalhe desagradável, ruim, que não pode ser subestimado, porque diz respeito a escola. Mas nós temos depois de muitos anos um currículo básico dos alunos de 5ª a 8ª séries, temos ênfase na alfabetização com o programa Ler e Escrever, que tem um professor auxiliar na primeira e segunda série do ciclo básico, tal modo que os alunos sejam efetivamente alfabetizados. Nós temos a contratação de professores, abertura agora de um concurso que vai resolver um problema seríssimo que é a presença de 80 mil temporários colocados precariamente na rede. Já selecionamos 12 mil supervisores, reformamos toda a rede escolar. Vamos aprimorar a seleção de professores, supervisores, diretores, com o concurso em duas etapas. O Estado está preparado para o novo ensino fundamental. Estamos nos entendendo com os municípios, porque uma boa parte disso é municipal. Hoje a municipalização avançou muito. A qualidade de ensino tornou-se artificio eleitoral. O governo hoje tem uma visão orgânica do que tem que ser feito para melhorar a qualidade do ensino no Estado de São Paulo. Nós temos um conjunto de metas, muitas das quais não serão cumpridas em um único governo, mas devem ser perseguidas para que isso se torne uma política pelos resultados que forem obtendo. Que a gente melhore salário, propicie melhoria na estrutura física, que as salas de informáticas funcionem e que tenha um currículo para o professor seguir e uma seleção mais rigorosa na contratação dos funcionários. É processo irreversível, assim como foi o processo de municipalização, que começou com Mário Covas, com grandes resistências, especialmente de sindicatos ligados ao magistério, que pensam no sindicato, na profissão e não na educação, em primeiro lugar, e não no sucesso da municipalização.

APJ - Nas cidades pequenas e médias há muita reclamação da construção de novos presídios. O que o Estado pretende fazer para dar compensação financeira e repasse de recursos a essas cidades?
Aloysio O número de presos no Estado de São Paulo é de 144 mil presos e o de vagas nos estabelecimentos do sistema penitenciário, 100 mil. Então nós temos 44 mil presos precisando de vagas. Hoje eles estão em celas superlotadas nos estabelecimentos prisionais, sem a menor condição de trabalhar e estudar para redução de pena. A superlotação dos presídios afeta a segurança dos próprios presídios e a governabilidade. Abre campo para a ação de quadrilhas dentro dos presídios, além do que preso em delegacia significa policiais ocupados em funções diversas daquela dos quais eles são funcionalmente destinados, que é investigar os crimes. Então esse é um problema que nós precisamos resolver. Neste governo não estamos fazendo apenas a interiorização dos presídios. Estamos fazendo a regionalização dos presídios e não queremos concentrar presídio numa mesma região do Estado. Isto é prejudicial para as famílias dos presos, isso dificulta a instrução criminal, isto provoca problemas sociais e de segurança nos municípios pequenos onde há uma grande concentração de presídios. Por um tempo, uma determinada região do Estado de São Paulo ficou quase um depósito de presos. Nós não queremos mais isso. A nossa forma de interiorizar, do governo Serra, é diferente. É regionalizar. Para que o preso fique próximo da sua casa. Isso ajuda na sua ressocialização. Isso evita castigar a família, obrigando-a a fazer grandes viagens para visitar seus familiares, isso faz com que o preso fique perto do órgão poder judiciário perante ao qual ele foi processado, isso facilita o trabalho do preso, e aumenta a governabilidade dos presídios, sem nenhum prejuízo para a segurança da cidade. Há muito preconceito e muita demagogia. Imprensa sendo sensacionalista, políticos que querem ganhar voto alimentando esse preconceito. A polícia de São Paulo prende e é preciso que aja lugar para prender as pessoas. Não se pode construir presídio na Lua. O presídio tem que ser colocado nas cidades e nas regiões onde são mais necessárias. Então essa é uma política que nós adotamos, que é inovadora.

APJ – E como fica a compensação financeira aos municípios?
Aloysio - Na prática já tem ocorrido, nós temos aqui na subsecretaria de assistência aos municípios, dialogado com os prefeitos e procurado ajudá-los naquilo que corresponde a necessidade deles. Não adianta dar uma compensação financeira. É preciso ver aquilo que é, especialmente nas cidades onde já existem presídios, aqueles problemas que foram criados pela concentração de presídios no mesmo lugar. Por exemplo, a cidade de Serra Azul tem três presídios. É uma cidade pequena, que cria problemas sérios. Nós estamos trabalhando com o prefeito nisso, para ajudá-lo num plano habitacional, para os funcionários dos presídios, e outras providências que os prefeitos pedem. Mas sempre fazendo a roupa de acordo com o cliente. Não adianta nada oferecer um terno 52 quando a pessoa usa modelo 48.

APJ – A criminalidade aumenta quando os presos estão na rua, principalmente porque existe a saída temporária?
Aloysio - São dois problemas diferentes. A situação da saída temporária dos presos é realmente um benefício previsto na lei federal. É uma das bizarrices do Brasil. Eu não conheço nos Estados Unidos, ou na França, ou na Inglaterra, os presos que podem sair no Dia das Mães, no Dia dos Namorados, não creio. Mas está na legislação. E isso agravou quando na legislatura passada o Congresso aprovou uma lei que eliminou um requisito da exigência da saída que foi o exame criminológico. Nós aqui em São Paulo tomamos uma iniciativa pioneira. Foi aprovado na Assembleia Legislativa um projeto de lei do deputado Baleia Rossi, instituindo a obrigatoriedade do monitoramento eletrônico dos presos como condição para saídas. Foi questionada a constitucionalidade dessa lei e um trabalho político muito intenso do governador José Serra conseguiu aprovar uma lei federal, baseada na nossa lei estadual. Então isto vai, na minha opinião, enquanto não se muda a lei federal, dar uma condição infinitamente mais segura no controle muito maior dessas saidinhas temporárias. Já foi aberta licitação para a compra destes equipamentos, depois de um estudo criterioso daquelas que seriam a tecnologia mais adequada. Há uma contestação no Tribunal de Contas, mas já estamos respondendo a todos questionamentos. O preso será monitorado e a polícia vai saber onde ele está. Em caso de fuga vai emitir um sinal e toda vez que ele quebrar a pulseira, vai tocar um alarme onde ocorreu a quebra. Assim que terminar o processo licitatório. Com relação às pulseiras dos presos, inicialmente serão compradas 3 mil, para se testar a tecnologia. Este ano deve entrar em vigor ainda. Isto é uma inovação do governo. Aliás este é um governo que não hesita em inovar, como o governador afirmou no seu discurso de posso

APJ – O governo tem planos de aumentar o efetivo na polícia?
Aloysio - Estamos hoje empenhados em cobrir todos os claros dos nossos efetivos previstos por lei. Já no governo Serra recrutamos 8 mil policiais, entre Polícia Civil, Militar e técnico científica, até o final da gestão vamos incorporar mais 7 mil policiais. Queremos zerar essa defasagem.

APJ - Qual a dificuldade de aumentar o efetivo?
Aloysio - É a formação do policial, tanto de praça como os operacionais. A Polícia de São Paulo é a que tem melhor formação. A (Academia) Barro Branco é uma das grandes escolas do País.

APJ - O Estado pretende acabar com a cadeias públicas?
Aloysio - Nosso objetivo é ter preso no sistema prisional do Estado. Presos provisórios perto da Vara onde estão sendo processados, presos em regime fechado, cumprindo pena em sistema de segurança máxima, na região de onde eles são oriundos, para melhorar as condições de ressocialização. E presos que estão em estágio final de cumprimento da pena, que estão em condição de trabalhar e estudar.

APJ – Secretário, estradas que estão sob a administração da iniciativa privada estão melhores conservadas, porque o Estado não consegue prestar o mesmo serviço, afinal o governo arrecada impostos para que possam ser revertidos em melhorias também neste setor?
Aloysio - Entregamos à iniciativa privada as estradas que tinham o maior volume de tráfego, portanto que possam se pagar e gerar algo que se chama outorga para o Estado. E essa outorga está toda ela sendo aplicada nas rodovias que não têm volume de tráfego suficiente, mas que precisam ser melhor conservadas, como as estradas vicinais que estão sendo totalmente recuperadas. Por exemplo, os cinco últimos lotes que foram entregues em concessão geraram uma outorga de R$ 3,5 bilhões. Todo esse dinheiro vai para o programa de recuperação e pavimentação de vicinais. São 12 mil quilômetros de vicinais recuperadas e mais três mil quilômetros de estradas de terra que serão recuperadas até o final do governo Serra. Além do que, estas novas concessionárias vão ter ao seu encargo a conservação de cerca de 1 mil quilômetros de estradas vicinais adjacentes. O Rodoanel Oeste, que foi construído e entregue à população no final do governo de Mário Covas, foi concedido à iniciativa privada mediante o pagamento de uma outorga de R$ 2 bilhões, integralmente revertidos na construção da maior obra rodoviária do País que é o Rodoanel Sul. Além do que, recursos transferidos com as outorgas ou o dinheiro que o Estado deixa de gastar na conservação destas rodovias que foram entregues a iniciativa privada, estão sendo efetivamente aplicados na melhoria e na conservação da malha não-privatizada. Nós temos já 150 quilômetros de duplicações feitas com recursos do Estado, são 1.600 quilômetros de recapeamento, nós temos o programa dos acessos aos municípios, 1.600 quilômetros de acesso, quase R$ 1 bilhão no programa de acessos, fora o programa de vicinais. E vamos agora, no final do ano, lançar o edital de concorrência da obra, uma grande rodovia estadual que não pode ser entregue à iniciativa privada, que é a Euclides da Cunha, que sai de São José do Rio Preto e vai até Santa Fé do Sul. No mês de outubro sai licitação de R$ 1 bilhão a R$ 1,2 bilhão. Aí que está o dinheiro do Estado. O Estado arrecada dinheiro com as outorgas e também investe na melhoria de suas estradas. É o que nós estamos fazendo

APJ – A privatização tem um custo no bolso do contribuinte, porque há aumento de pedágios?
Aloysio - Em primeiro lugar, nós adotamos um novo modelo de concessão, diferente dos modelos anteriores. Nos modelos anteriores haviam as tarifas de pedágios fixos e ganhava a concorrência quem oferecesse a maior outorga. No governo Serra, este esquema mudou. A outorga é fixa e ganha a disputa pela concessão a emprega que oferecer a menor tarifa. Nós chegamos a obter desconto de até 60% no valor da tarifa. Então as tarifas serão menores em relação as que são praticadas atualmente, graças a esse novo sistema. E o que se paga, o que se pode pagar a mais pela tarifa de pedágio, se compensa pela qualidade da rodovia. Você não fica sem socorro na estrada, as concessionárias estão investindo em marginais para desafogar o trânsito, é outra rodovia, é outra realidade, permanentemente conservada e melhoria no serviço oferecido ao usuário e por uma tarifa menor.

APJ - Isso teve a ver com a privatização de rodovias federais pelo governo federal com pedágio mais barato?
Aloysio - Não, não. Isso é uma concepção nova do governo Serra. No governo Alckmin, o Estado duplicou dez quilômetros da ligação Mogi-Via Dutra, entre a Cidade e a rodovia Ayrton Senna. Restam agora os 7 quilômetros finais, entre a Ayrton Senna e a Presidente Dutra( no município de Arujá).

APJ - O governo tem planos para isso?
Aloysio - Por enquanto não, mesmo porque essa rodovia passa por uma região muito densamente povoada, custo grande de desapropriação. Temos outros investimentos rodoviários importantes nesta região. Mas esta por enquanto não.

APJ - E a privatização dos aeroportos no Interior?
Aloysio - Depende agora de uma autorização da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Nosso objetivo é efetivamente entregar esses aeroportos para a iniciativa privada.

APJ - Seria Parceria Público-Privada (PPP)?
Aloysio - Não, concessão. Nós precisamos de autorização da Anac porque o Daesp já é uma concessionária. Alguns aeroportos têm condições de se pagarem, de se sustentarem, as áreas para sua manutenção, operação, além disso, pagar a manutenção e operação de aeroportos menores, como menos movimento. Se entrega em concessão o aeroporto de São José do Rio Preto, e o concessionário vai se encarregar de manter, iluminar, todos os serviços necessários do aeroporto de Penápolis, por exemplo.

APJ - A abertura das concessões seria para equilibrar o caixa, já que a arrecadação caiu devido à crise financeira?
Aloysio - Nada a ver. Isso é uma visão moderna do governador, de administração pública, que durante muito tempo foi demonizada pelo PT, e hoje o próprio PT adotou essa política, por exemplo de concessão das estradas, a idéia de se fazer o trem bala com parceria da iniciativa privada, mas que corresponde à necessidade de se aplicar os recursos do Estado, que são escassos, naquilo que somente o Estado pode fazer, educação, saúde, segurança, transporte coletivo em grande medida, embora haja possibilidade de parceria como é o caso da Linha 4 do Metrô, fomento a cultura.. que são atividades próprias do Estado. E a manutenção da infra-estrutura onde essa manutenção e ampliação são importantes, mas não podem ser entregues à iniciativa, como é o caso das vicinais. A preocupação do governador, primeiro nós não temos nenhum preconceito contra as concessões, se tivessem feito a concessão do Rodoanel Oeste a mais tempo, o Sul já estaria pronto. Então nós não temos nenhum preconceito em relação a isso. Acho que a população entende isso, o quanto é importante para rapidez, o conforto das pessoas e para a circulação de mercadorias ter boas estradas. O governador tinha preocupação em assegurar financiamento para grandes investimentos do Estado. Então nós investimos já R$ 20 bilhões e vamos investir mais nos próximos meses. Isso significa uma média de 150% acima do que foi investido no governo anterior. Nós nos valemos de várias formas como fonte de financiamento: venda da folha de pagamento para a Nossa Caixa, depois da Nossa Caixa para o Banco do Brasil, novas concessões com as respectivas outorgas, financiamento de bancos internacionais e do BNDES, aumento da arrecadação do Estado sem aumento de alíquotas, combatendo a sonegação e estimulando a emissão de nota fiscal com a Nota Fiscal Paulista. Com isso, nós asseguramos recursos para estes principais programas de investimento, que não serão afetados pela crise. Agora o governador sempre teve pé no freio com o custeio, e especialmente agora na crise, diferentemente do governo federal que tá programando que propiciou a verdadeira farra no que diz respeito ao custeio.
Monise Centurion e Aurélio Alonso
APJ