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APJ - Associação Paulista de Jornais
REDE PAULISTA DE JORNAIS
23/06/2010
Wilson Marini
wmarini@apj.inf.br
 
Moto mata?
Carlos Ray Norris Jr, mestre em artes marciais e ícone de filmes de ação no cinema americano, se tornou um mito na internet com suas frases cômicas. Uma delas afirma que as armas não matam. O que mata é Chuck Norris, seu apelido no cinema.
Em algum momento da vida, você já ouviu alguma citação desse tipo. Foi esse, aliás, o argumento principal dos que defenderam a continuidade do comércio de armas de fogo e munição no plebiscito de 2005 no Brasil. Entendeu a maioria, democraticamente, que o revólver não mata. Por si só é uma engenhoca inocente. Quem mata é aquele que decide acionar o gatilho.
Partindo-se desse raciocínio, não é o automóvel o assassino, mas sim as condições adversas e acidentais no trânsito e a negligência do motorista. E o que dizer das motos? São, claro, máquinas neutras e inofensivas. Quem mata, ou se mata, são os condutores. O preço social desse raciocínio complacente em relação à onipotência das invenções é cada vez mais alto para a sociedade. Nossas cidades estão sendo palco de uma violenta e silenciosa carnificina. Quedas de avião provocam dezenas de mortes, ganham destaque na imprensa do mundo todo e as companhias aéreas são duramente cobradas pelos governos e opinião pública a serem mais eficientes e esclarecer as causas das tragédias. Mas uma queda de moto repercute bem menos. Quando ocorre, é vista sob o prisma simplista do "acidente", como se fosse algo casuístico, inevitável, previsível estatisticamente. E com isso, as autoridades discutem e agem muitíssimo pouco diante dos números desse grande drama urbano. No Interior Paulista, a maioria das cidades médias não vive uma semana sem que haja um acidente grave envolvendo motociclista. Até quando? “É necessária uma ampla mobilização, envolvendo a sociedade civil, autoridades e, inclusive, as fabricantes de motocicletas”, opina o médico Marcelo Rosa, do Instituto de Ortopedia do Hospital das Cínicas de São Paulo, ligado à Secretaria de Saúde do Estado.

Nos hospitais
De 255 acidentados de moto atendidos no HC num período de seis meses, 84 precisaram de internação e, destes, 54% tiveram fratura exposta e 12% tiveram lesões neurológicas. A média foi de 18 dias de internação, sendo que 14% dos pacientes precisaram ser internados novamente. Tudo isso custou R$ 3 milhões à instituição. 71% dos envolvidos são jovens no auge da produtividade. "Além de gerar um alto custo para o Estado, muitos dos acidentados terão consequências para o resto da vida”, lamenta o médico Rosa. Os acidentes com moto devem ser vistos hoje como uma epidemia, diz ele.

Ações
Algumas medidas sugeridas por especialistas para conter os índices de acidentes com motos: 1) ampla campanha de conscientização em empresas e nas ruas, lideradas pela Prefeitura; 2) restrição e fiscalização de velocidade em corredores onde é alta a incidência de acidentes; 3) mudanças estruturais em vias com a criação de faixas exclusivas; 4) formação mais consistente dos motociclistas na habilitação e reeducação permanente.

Autonomia regional

Governadores sempre se encastelaram no Palácio dos Bandeirantes. Para o Interior Paulista, o Poder na Capital é distante e insensível à realidade regional. Paulo Maluf lançou o "governo itinerante" para percorrer as regiões, mas foi apenas marketing político. Agora, o pré-candidato Paulo Skaf (PSB) resgata a ideia do regionalismo com uma roupagem moderna. Propõe autonomia à gestão das regiões administrativas do Estado, inclusive nas decisões orçamentárias, com a participação de conselhos metropolitanos formados por prefeitos, vereadores e representantes da máquina estadual. A distribuição dos investimentos seria decidida localmente. Com isso, Skaf cria um fato político em meio à tendência de marasmo no debate ainda contaminado por troca de farpas entre os partidos. A idéia é viável, técnica e financeiramente? O que terão a dizer Alckmin, Mercadante e Feldman? Mais do que isso, o que pensam deputados, prefeitos e lideranças regionais?
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