Terminou o clima de espera e a Assembléia Legislativa dá sinais de que a CPI da Bancoop, instalada dia 9 de março, vai deslanchar, finalmente. Na próxima terça-feira serão ouvidas as primeiras testemunhas. O presidente da CPI, Samuel Moreira (PSDB), disse ontem que os depoimentos vão até junho e os trabalhos avançarão no segundo semestre.
Serão convidados a depor Hélio Malheiro, ex-funcionário da cooperativa, que teria afirmado haver desvio de dinheiro da Bancoop para campanhas políticas do PT, Freud Godoy, proprietário da empresa Caso Sistemas de Segurança, que prestou serviços para a cooperativa, Ricardo Luiz do Carmo, engenheiro responsável por empreendimentos da cooperativa, o segurança Andy Roberto Gurczynska, considerado testemunha-chave na investigação de supostos desvios de dinheiro para campanhas políticas, o doleiro Lúcio Bolonha Funaro e cooperados.
A Cooperativa Habitacional dos Bancários do Estado de São Paulo (Bancoop) foi criada em 1996 por um grupo ligado ao PT. Ricardo Berzoini era o presidente do sindicato dos bancários. Desde então, rolam suspeitas de apropriação indébita, estelionato, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha em supostas fraudes associadas à campanha que elegeu Lula em 2002. O caso ainda é objetivo de investigação no Ministério Público.
Fila
A CPI da Bancoop se transformou no principal fato político entre os deputados estaduais, já que o ano é de eleições e as investigações podem respingar sobre o PT. "A CPI vai apurar a verdade e a verdade às vezes dói", afirma o lider da bancada do PSDB, Celso Giglio, que nega ter havido manipulação para que o caso coincidisse com o ano eleitoral. É que só funcionam cinco CPIs por vez e o pedido sobre a Bancoop, protocolado em 2008, "estava na fila e agora chegou a sua vez, acabou caindo numa época importante".
A chave
A tese da fila não é aceita entre os petistas. O líder da bancada, Antonio Mentor, rebate: "E quem tem o controle sobre a chave da fila?", indaga, numa referência à maioria da bancada governista. Aos 19 deputados do PT somam-se nas votações apenas dois do PSOL, um do PCdoB e um dissidente do PDT, total de 23. Para a convocação de uma CPI são necessárias pelo menos 32 assinaturas, equivalente a um terço do plenário. O PT não consegue emplacar uma única CPI para investigar o governo. E o PSDB deita e rola.
Segurança Pública
A Secretaria de Segurança Pública respondeu à coluna, motivada pela abordagem à "Operação Padrão" dos delegados de polícia. Registramos a essência do conteúdo com a premissa de que os dados públicos são sempre parâmetro para avaliação. O tema é cercado de muita polêmica e merece ter o debate ampliado, pois a segurança é questão vital à população. Tanto é que nas pesquisas de opinião pública em cidades médias, o item segurança é apontado muitas vezes como mais preocupante que a saúde, educação e transporte urbano.
Números
O comunicado destaca que desde 2007 as polícias civil e militar foram reaparelhadas com 44,6 mil pistolas e 48,5 mil coletes balísticos e 8,2 mil viaturas e que o sistema interligado dá conta de 80% dos boletins de ocorrência, o que "permite mapeamento mais rápido da criminalidade por meio do Infocrim". O governo pretende construir 49 unidades prisionais no Estado com tecnologia para coibir a entrada de armas e o uso de telefones celulares, investimento de R$ 1,5 bilhão.
Pessoal
A Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo reclama que há falta de pessoal, o que obriga muitas vezes o delegado a exercer o papel de carcereiro, motorista e escrivão. A "Operação Padrão" tem o objetivo de impedir os desvios de função. O governo responde que São Paulo tem efetivo policial de cerca de 127 mil pessoas nas polícias civil, militar e científica, o maior entre os estados.
Violência
Em relação à sensação de insegurança no Interior, o governo afirma que "não existem dados estatísticos e nem estudos sociológicos ou científicos que dêem suporte à ideia de que há aumento da criminalidade nas cidades onde têm presídios". Em relação aos homicídios dolosos, indicador importante de violência, houve queda de 70,2% em nove anos no Estado, diz a secretaria.
Aeronaves
E uma promessa para conferir: Piracicaba, Sorocaba e Presidente Prudente também terão helicópteros Águia para patrulhamento em 2010, segundo a Secretaria de Comunicação do Estado, a exemplo de São José do Rio Preto, que recebeu a aeronave em março, e de Campinas, Ribeirão Preto, Bauru, São José dos Campos e Baixada Santista, anteriormente. |