O jornalismo possui diversas vertentes, todas elas válidas e que se completam. Pode ser simplesmente narrativo, devendo primar pela objetividade, mas se faz também por meio de outros estilos, como o literário. Uma forma pouco explorada, mas que encanta os leitores, é quando o repórter, ele próprio, vive o papel de personagem de fatos do cotidiano. Quando feito com ética e preocupação social, esse tipo de reportagem torna atraente a leitura de temas às vezes áridos e confere experiência aos profissionais. É o caso de duas matérias publicadas nos últimos dias no grupo de jornais da Rede APJ, que se somam a outras semelhantes na própria rede.
Em Sorocaba, o "Cruzeiro do Sul" escalou os repórteres Samira Galli e Bruno Cecim para viver na rua uma noite inteira na condição de moradores de rua e sentir o que isso significa. Enfrentaram o frio e o medo e receberam esmolas. "Passei por uma experiência transformadora. Só quem veste a roupa da exclusão e sente na pele a marginalidade da sociedade é que pode imaginar como essas pessoas se sentem", escreveu Samira. "Ser morador de rua tem muitos preços e um deles é a invisibilidade", declarou Bruno.
A repórter Paula Martins, do "Jornal de Limeira", viveu um dia de agente do trânsito. Somente no primeiro ponto, teria aplicado 58 multas em 20 minutos. Falta de uso do cinto de segurança, estacionamento em locais proibidos e conversões indevidas são alguns itens da lista das infrações mais comuns. Ao final, constatou: "Falta educação no trânsito".
Contaminação
Pesquisa da Unesp de Rio Preto revela que o uso de agrotóxicos e outros compostos químicos pode afetar a vida aquática, segundo o "Diário da Região". Pesquisadores expuseram cascudos e tilápias a pesticidas, diesel e metais em laboratório. O objetivo era observar os efeitos nos peixes com a presença de pesticidas como o Regent, que tem aplicação crescente na agricultura. Não é possível dizer que há risco para o consumo de peixe pelo homem. Mas o resultado prévio é um sinal de alerta: houve lesão nas células, acúmulo de gordura no fígado e inibição de enzimas. O próximo passo da pesquisa será a observação de peixes coletados em tanques e ambientes naturais. Os pesquisadores querem que ao final o estudo sirva de base para mudanças na legislação atual que regulamenta as quantidades permitidas de produtos químicos na água.
Muita sola de sapato
A propaganda eleitoral será permitida a partir de 6 de julho, mas os candidatos a deputado nas eleições de outubro já sabem que vão gastar muita sola de sapato para convencer os eleitores, segundo destaca o jornal "Comércio da Franca". As restrições impostas pela Justiça Eleitoral devem silenciar a campanha e dificultar a apresentação de nomes e propostas. Pior para os postulantes que não ocupam cargos públicos. A exemplo das eleições passadas, está proibida a distribuição de brindes, como camisetas, chaveiros, bonés e canetas, e a realização de showmícios.
Invenções (1)
Muitas dos produtos que se consagraram no mercado no mundo nasceram de sessões de brainstorming ("tempestade de ideias). No Brasil, a Associação Nacional dos Inventores apóia inventos que tenham aplicação prática na vida cotidiana. Um deles é o "Woman Free", embalagem descartável que permite à mulher urinar como o homem, de pé, ideal para banheiros públicos. O outro é um boneco inflável com a forma de silhueta de uma pessoa, para ser usado como "companheiro" no trânsito para pessoas que andam sozinhas no carro e têm medo de ser abordadas. Ambos já estão sendo comercializados.
Invenções (2)
Nessa linha, um paulistano de 22 anos inventou o "Localizador de Controle Remoto" indicado para quem costuma procurar o controle da TV no meio de almofadas ou dentro do sofá; baseia-se num sensor com uma tecla que, pressionada, aciona o alerta do controle. Não dá para saber ainda se o aparelho localizador vai emplacar no mercado. Produtos como os mencionados podem parecer exóticos ou supérfluos, mas em tentativas de criatividade como essas surgem soluções que tempos depois muitos exclamam:"Pôxa, como não pensei nisso antes!". Daí a necessidade de se incentivar os novos criadores e proteger os inventos por meio de patentes. |