A quinta-feira começou tensa em Itaquera, na zona leste da Capital. Internos da unidade da Fundação Casa tentaram escapar, foram contidos e se rebelaram. Três menores e sete funcionários tiveram ferimentos leves. O saldo foi ameno se comparado a motins na extinta Febem, mas o suficiente para a notícia chegar com preocupação a participantes de um evento junto da famosa esquina da Ipiranga com a São João. Ali, no glamouroso Hotel Excelsior, dezenas de gestores de entidades de promoção e defesa dos direitos da criança e do adolescente de vários Estados participavam naquele instante de um fórum nacional de três dias para discutir justamente os problemas da área.
Liberdade, sim ou não
O maior desses desafios foi levantado pela presidente da Fundação Casa, Berenice Giannella. Segundo ela, cerca de 280 adolescentes permanecem internados por furto em unidades em todo o Estado, mas deveriam estar em liberdade. Com base no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), ela defende que a entidade deveria acolher apenas a clientela formada por aqueles que cometeram crimes com violência ou grave ameaça. Em Peruíbe, um jovem está há quatro meses internado porque quebrou um aparelho de DVD num abrigo em que estava, disse Berenice em tom de crítica à decisão judicial que resultou na internação. "Nenhum adulto ficaria privado de liberdade por dano ao patrimônio público. Precisamos rever esses conceitos".
Casos de saúde
Nessa condição estariam segundo ela outros 1.700 adolescentes cujo perfil é o envolvimento com drogas. Deveriam receber atendimento de saúde para a recuperação, diz Berenice, partindo do princípio que o tráfico muitas vezes começa como sustento ao vício. Por falta de rede pública capacitada a acolher esses casos, a Justiça remete os jovens para unidades da Fundação Casa.
Judiciário
Em resposta ao clamor por mudança de posicionamento do Poder Judiciário na aplicação de "medidas socioeducativas" aos jovens infratores, um representante do Judiciário, Nicolau Lupianhes Neto, da Corregedoria Nacional do Conselho Nacional de Justiça, disse que a revisão de conceitos é essencial. “A questão de fundo é que temos que pensar como gostaríamos que nossos filhos fossem tratados se estivessem na situação desses adolescentes".
Bullying
A Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) revela: 49% dos alunos de escolas públicas da cidade sofrem bullying -- violência na qual colegas agridem outros. "Um professor consciente talvez não permita que isso ocorra na sala de aula, mas na hora do recreio é frequente", diz a pesquisadora Lúcia de Albuquerque Williams. "As pessoas que sofrem o bullying apresentam baixo desenvolvimento acadêmico, dificuldade de concentração e muitas vezes abandonam a escola". Segundo ela, o uso de substâncias tóxicas está presente entre agressores.
Álcool em expansão
Desde o Pró-Alcool nos anos 70, as usinas dobraram a produção de energia na mesma área cultivada, a grosso modo de 3 mil para 7 mil litros por hectare. Mas o Brasil ainda pode ampliar e até dobrar a produção atual do álcool combustível sem expandir a área de plantio. Isso será possível por meio do aumento da produtividade agrícola e novas tecnologias de obtenção do etanol. O ganho de escala industrial vai ocorrer com o aproveitamento do açúcar contido no bagaço e até na palha da cana-de-açúcar, dando origem ao etanol celulósico, segundo revela a revista Pesquisa Fapesp deste mês de março. A fermentação do caldo ainda é a forma utilizada para se obter o álcool. Mas os novos processos vão levar à produção do etanol de segunda geração, afirma a publicação científica.
Fronteiras
A perspectiva de melhoria de escala é fundamental considerando-se que a indústria sucroalcooleira, a rigor, não tem grandes espaços geográficos para se expandir. "O crescimento será vertical", afirma o presidente da União da Indústria da Cana de Açúcar (Unica), Marcos Sawaya Jank, segundo o qual as áreas de crescimento estão restritas ao Sul do Mato Grosso do Sul, Triângulo Mineiro e Sul de Goiás.
Exportações
Em fevereiro, a Agência de Proteção Ambiental os EUA anunciou estudo que coloca o etanol da cana-de-açúcar como um combustível avançado, capaz de reduzir as emissões de gases nocivos do efeito estufa em até 61% se comparado à gasolina. Isso "abre um espaço efetivo para exportações", analisa o economista José Roberto Mendonça de Barros, para quem "o complexo industrial em torno da cana está se alargando com as inovações tecnológicas de grande envergadura, que poderão dobrar o tamanho do sistema como um todo em poucos anos, beneficiando o investimento, o emprego e o meio ambiente". |