Os empresários do Interior Paulista estão otimistas em relação às suas metas este ano, segundo a pesquisa "Panorama Empresarial 2010" realizada pela empresa de consultoria Deloitte. Indo direto ao ponto: para 90% dos executivos, o crescimento da receita será de 10% em média para o ano. Apenas 2% esperam redução. O estudo foi realizado com entidades de diversos segmentos e portes econômicos e contou com a participação de 112 empresas, 39% das quais realizam operações de comércio exterior. A receita líquida das organizações pesquisadas soma R$ 93 bilhões -- ou 16% do Produto Interno Bruto (PIB) do Interior Paulista. O conjunto de empresas entrevistadas emprega 125 mil colaboradores diretos. Em sua grande maioria, são empresas de capital fechado ou limitadas, de gestão familiar e de origem nacional. O levantamento, realizado entre outubro de 2009 e janeiro de 2010, é um indicativo importante para sentir o estado de espírito do empresariado paulista, especificamente do Interior, ao final de um ano de crise.
Otimismo
Mesmo com um quadro conturbado em 2009, 60% dos empresários do Interior Paulista afirmaram que apresentariam balanço positivo ao
término do ano; 26% indicaram queda. “O empresariado do interior do
Estado apresenta um otimismo importante para o ano de 2010. Está muito bem estruturado para os novos investimentos e desafios", afirma Edgar Jabbour, sócio da Deloitte. "Depois de 2009, considerado um ano de recuperação, o momento é de aquecimento para as empresas e seus respectivos setores de atuação”.
Investimentos
69% das empresas do Interior Paulista aumentaram seus investimentos em 2009. Para 2010, 86% prevêem ampliar seus investimentos. O desenvolvimento de novos produtos e serviços é uma estratégia a ser adotada por 67% dos entrevistados. A retenção de capital humano e desenvolvimento de talentos são metas de 48%. Um terço das empresas desenvolve projetos por meio de equipes internas. Práticas de sustentabilidade e responsabilidade ambiental foram destacadas por 44%. Ações sociais e a proteção ao meio ambiente estão entre os principais projetos e investimentos a serem implementados (85%). A área de pesquisa e desenvolvimento também merecerá atenção (76%).
Pontos positivos
Os empresários apontaram os atrativos relevantes para que as empresas se mantenham no Interior. O principal deles é a perspectiva de crescimento da atividade econômica do país (69%). Os demais itens referem-se à região onde estão inseridos: 43% destacaram a existência de pólos com infra-estrutura de serviços compatíveis às grandes cidades, 37% o custo de manutenção da atividade no Interior, 35% investimentos do governo em infra-estrutura e 29% a procura por qualidade de vida.
Pontos negativos
Como contraponto, entre os fatores mais prejudiciais à atratividade e
ao crescimento empresarial na região, 56% destacaram o aumento do
custo de mão-de-obra, 50% a falta de mão-de-obra qualificada, 44% a redução de investimentos em infra-estrutura e 26% a concorrência de produtos da China.
Prioridades
Em relação ao ano eleitoral, chama a atenção item sobre as prioridades apontadas pelos empresários para o próximo governo estadual: 71% dos empresários do Interior Paulista mencionaram a segurança pública, item que supera a saúde pública (62%) e perde apenas para a educação (83%), provavelmente pela necessidade de qualificação dos trabalhadores. Em relação ao governo federal, a reforma tributária é a prioridade mais mencionada (67%), o que não é surpresa.
Fusões e aquisições
A pesquisa sinaliza uma tendência que pode apresentar novidades em
alguns segmentos empresariais do Interior Paulista em 2010: 16% deles darão prioridade à participação em fusões e aquisições. "Nesses novos tempos de negócios, as fusões e aquisições ganharam bastante espaço entre as estratégias de ampliação e diversificação", concluíram os pesquisadores. |